QUINTANA E ZULAIR E UM CERTO DIA TRINTA


É de conhecimento de todos os meus amigos que eu fui uma pupila do poetinha Mario Quintana desde os meus oito anos, quando o conheci na Escola Daltro Filho, em Porto Alegre. Mas hoje o texto não é sobre como o conheci, e sim sobre as coincidências da vida.
Foi Mario Quintana, entre um café com quindim e uma baforada de cigarro, que me ensinou a “viajar” e brincar com os cinco sentidos, ouvindo um cheiro, cheirando uma cor, vendo o som das árvores... Ele me ensinou a ver a vida fora do “quadradinho”. E foi assim que, sem opções, me tornei poeta; afinal, com todo aquele “arsenal” que ele me deu, eu não poderia ser outra coisa a não ser poeta. Muitas vezes ele me incentivou a publicar minhas poesias e a nunca parar de estudar. Quando ele foi embora, em maio de 1994, eu ainda não tinha nada publicado, estava estagnada cuidando apenas da casa e dos filhos.
Fui ao velório com meus dois filhos pelas mãos e, escondida do segurança, consegui enfiar uma carta e um cigarro no bolso do seu paletó. O cigarro foi a pedido dele — sempre pedia isso, dizia que eu o entenderia, afinal eu também era fumante. Mal ele sabia, e eu nunca confessei, que eu era fumante justamente por sua causa. Na carta eu pedia ajuda para publicar meus textos e poesias. Também pedi para que ele colocasse alguém de sua confiança na minha vida, alguém que, assim como ele, me incentivasse a seguir na literatura. Eu era uma pessoa muito insegura, não confiava em mim mesma e, acredite, eu era tímida.
Pouco tempo se passou. Tempo suficiente para que eu sentisse falta de alguém que conversasse sobre minhas poesias, sobre minha maneira de escrever. Foi quando, juntamente com outros escritores, fundamos a extinta Associação Literária de Gravataí e eu conheci aquela que passou a ser a irmã que a vida me deu: Zulair Maria de Souza.
Zulair, com seu sorriso escrachado e rímel azul, logo cativou a minha confiança. Conversávamos sobre tudo, principalmente sobre literatura. Ela não apenas me incentivava, ela quase me “obrigou” a lançar meu primeiro livro, Utopia, em 1996.
Estávamos num coquetel e alguém perguntou nossas datas de aniversário, e ela disse sorrindo:
— Eu faço aniversário junto com o poetinha, dia 30 de julho.
Eu fiquei olhando, quase sem acreditar. Seria ela a pessoa de confiança que eu havia pedido ao Quintana?
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| Isab-El Cristina |
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| Arte:Waldemar Max |
EM SUA SOPA, EU SOU A MOSCA
NO SEU PRATO A
ZUMBIZAR!
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