ESSE ESTRANHO NOVO MUNDO

FANTASMA – THE PHANTOM 

Um breve relato sobre o primeiro heroi fantasiado do

universo da histórias em quadrinhos

Uma tira de jornal publicada em 17 de fevereiro de 1936, deu início a tudo. Passei a minha infância e adolescência em minha cidade natal, Cachoeira do Sul. Foi lá que se deu o meu primeiro contato com o personagem criado por Lee Falk.

Por volta dos meus 10 anos de idade ganhei um álbum da RGE, que contava a origem do Fantasma em desenhos de traços simples em p&b. Tudo porque a minha família já sabia que eu era apaixonado pelas histórias em quadrinhos e assim, aquele álbum grande e sem cores, tinha uma história que causou um grande impacto em mim.

Por essa época o meu pai, funcionário do Banco do Brasil, ascendeu na instituição bancária e conseguiu melhorar a condição de vida da família, até então um pouco precária. Foi assim que ao completar 11 anos de idade, ganhei um brinquedo plástico com o “kit do Fantasma”. Eram miniaturas do personagem em duas posições: em pé segurando um revólver e com as pernas dobradas para encaixar no cavalo Heroi e ainda havia o seu fiel lobo de estimação, o Capeto. O que resultou em muitas brincadeiras solitárias (sou filho único, com mais três irmãs) complementadas pela minha imaginação. O uniforme dele era vermelho e durante muito tempo, todos os leitores de HQs no Brasil, assumiram que o personagem tinha um traje rubro.

Isso porque quando as histórias do personagem passaram a ser publicadas em cores nos EUA, pouco anos depois da estreia, os editores decidiram por um uniforme de cor roxa, que era rara em muitas gráficas pelo mundo.

A RGE optou pelo uniforme vermelho que o consagrou nas terras brasileiras e assim foi também na Espanha a na Itália. Em outros países o uniforme seguiu também colorações distintas da original, como azul na Escandinávia e marrom na Austrália.

Por isso, mesmo em 1996, quando Hollywood lançou o filme dirigido por Simon Wincer e protagonizado por Billy Zane, muitos espectadores brasileiros se chocaram ao ver o uniforme roxo do personagem.

Não pretendo me estender sobre as origens do personagem, que pode ser encontrada numa pesquisa na internet. Mas julgo importante assinalar algumas questões importantes ao longo das décadas de desenvolvimento do Fantasma:

- Foi o primeiro heroi (e não super heroi, já que não tinha superpoderes) a usar um uniforme colante, que se tornaria marca registrada de centenas de outros personagens dos quadrinhos de super herois. Lee Falk também decidiu por espaços brancos vazados na máscara, sem mostrar os olhos, o que influenciou muito outros criadores, como o Stan Lee e seu Homem-Aranha.

- Embora já tivesse criado outro personagem de sucesso à época, o Mandrake, Lee Falk dedicou toda a sua vida para cuidar do desenvolvimento do seu  personagem favorito, “o Espírito que Anda”, até a sua morte em 1999. Reza a lenda que os dois últimos roteiros criados por ele, foram em seu leito no hospital, em que teria retirado a máscara de oxigênio, para ditar à sua esposa.

- De início, as histórias do personagem falavam de uma linhagem de 21 combatentes do crime e da pirataria, da qual o atual Fantasma, também conhecido por Kit Walker, seria o sucessor, cujo pai fora assassinado por piratas. Como Lee Falk era um grande admirador da obra do britânico Rudyard Kipling, em particular de “O Livro da Selva”, decidiu situar a morada do personagem num país fictício denominado “Bengali” no sudeste asiático. Anos depois, com a participação de novos roteiristas, sempre com a supervisão de Falk, as histórias mudaram para o continente africano e o país passaria a se chamar “Bangalla”.

- O Fantasma é considerado, no universo dos quadrinhos, um heroi de transição, pois as histórias trazem influências de personagens da literatura pulp, como “O Sombra” e ao mesmo tempo antecipam características de super-heróis dos quadrinhos como Batman e Capitão América, para dar exemplos da DC e da Marvel;

- Um personagem tão longevo certamente passou por várias mídias, a exemplo das telas de cinema com um seriado de 15 episódios, produzidos em 1943, intitulado “The Phantom”, cujos episódios eram exibidos como complemento da programação, antes do longa metragem principal.

- Além disso, houve animações na TV e o filme de 1996. O Fantasma também foi para a literatura, em que seis livros adaptaram os roteiros de Lee Falk entre 1936 e 1947, publicados apenas nos EUA. Entre 1972 e 1975 uma nova série de 15 livros foram publicados, sendo que o autor escreveu o primeiro intitulado “The Ghost Who Walks”. Alguns poucos volumes foram editados em Portugal. Aqui no Brasil nunca foram publicados.

- Para se ter ideia do sucesso do personagem em todo o mundo, aqui no Brasil inclusive, por muitas décadas e avançando pelo século XXI, a tira de quadrinhos foi publicada em jornais norte-americanos pela primeira vez em 17 de fevereiro de 1936, diariamente e com edição colorida aos domingos, até o ano de 2006.

- Lee Falk cuidou do seu “rebento criativo” por toda a sua vida. No dia 13 de março de 1999, aos 87 anos de idade, seu espírito foi andar por outros planos.


E no dia 17 de fevereiro de 2026:

1936 - 2026
Com publicações especiais aqui no blog e live às 20h no Facebook do ColetiveArts, com sorteio de brindes nesa grande comemoração!

Confiram como está sendo a caminhada até o grande dia:

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Dossiê Kobielski clique AQUI

Arte e Cultura com Dedy Edson AQUI

Arte e Cultura com Glaucio Cardoso (Canal Fantasma Brasil) AQUI

Arte e Cultura com Fabio Alves (ilustrador do Fantasma) AQUI

Arte e Cultura com Sabino (editor do blog Fantasma Brasil) AQUI

Arte e Cultura com Murilo Almeida (cosplayer do Fantasma) AQUI

Arte e Cultura com Higor Lopes (Editora Mythos) AQUI

Arte e Cultura com Jeff Weigel (ilustrador do Fantasma) AQUI

Arte e Cultura com Louis Manna (ilustrador do Fantasma) AQUI

Arte e Cultura com Mikael Bergkvist (escritor e ilustrador do Fantasma) AQUI

Arte e Cultura com Pete Klaus (o maior colecionador do Fantasma do mundo) AQUI

Arte e Cultura com Fábio Ramiro Fuhr (colecionador e fã do Fantasma) AQUI


João Luís Martinez


João Luís Martínez é ator, dramaturgo, escritor e roteirista. Cursou a Faculdade de Jornalismo da UFRGS. Atua há 40 anos nas áreas do Teatro e do Audiovisual (cinema, TV e web). Como roteirista já escreveu roteiros de curtas, longas, minisséries e séries, ficcionais e documentais para Produtoras do RS e de SP. Integrou durante dez anos o corpo docente do Studio Clio – Instituto de Artes e Humanismo onde foi responsável pelos cursos de roteiro. É amante da literatura, dos quadrinhos, da música e de todas as formas de expressão artística.

"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."

COLETIVEARTS, 07 ANOS DE VIDA,
CONTANDO HISTÓRIAS, 
CRIANDO MUNDOS!



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