
AOS OLHOS QUE ME
ATRAVESSAM
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HOJE:
CAPÍTULO IV - Universitários
Enfim dezoito, já se passaram uns meses da maioridade alcançada. 1996 realmente está sendo diferente. Esta cidade, distante de tudo, tão, tão distante do mundo, 980 km cortados da capital até a Floresta via BR 163, e o gado a cruzar estrada com seus vaqueiros. 16 horas de viagem no total, acredita? Pensando bem, e pensando mais alto, cerca de 2.322,30 km desta Floresta até a capital paulista. Assim fica difícil escolher algum Curso dos Sonhos para faculdade, que profissão escolher se não há oportunidade em ter? Estes cursos... estes estão em uma realidade discrepante desta terra. Dãhh acorda guria, nessa terra só tem gado do começo ao fim, pecuária expressiva sô! Afeee, achei que tinha me deixado em paz, consciência do cão! Rss... é… O jeito é escolher os cursos que têm na city mesmo. Vamos ver… na Facu Estadual só tem um Curso há anos, Biologia; uiii três tipos de calafrios; em uma nova faculdade que vai abrir apareceu uns cursos de graduação diferentes, o ruim que é particular.
Vamos ver aqui… Contabilidade não, Administração não, Pedagogia nem pensar! Não tenho vocação pra nada disso; espera… Tem o Curso de Letras, vai ter que ser este, fazer o quê, o Curso de Direito está a 980 km daqui; ainda nem posso reclamar muito, tem gente que faz percursos de 120 km, 60 km, 30 km todos os dias de busão para chegar até a Facu, fora os que atolam literalmente no meio do caminho. Um quadro não muito afastado do que outros estados interioranos vivem. Bom, alguns optam por ficar na região, não é meu caso que fique registrado; outros por não poderem se aventurar muito no momento, voar pra longe não chega ser nem uma estatística que se afirmará; a questão não é nem a capacidade de não passar em alguma Universidade renomada, o buraco é mais embaixo, família, grana, falta de conhecimento do mundo.
Cortadas foram as asas da Garça que nas graças urbanísticas megalopantes cairiam. Um dia após outro, respira fundo… Coach coach…, Cocoricóóóóóóó…, Cri cri cri cri…, Croa…, Gluglu gluglu…, Grrr grrr... Grrr! Hã! Que isso jesus!? Mééé mééé mééé…., Miauuuu meeaauuuu…, Muuuuu… Hmmmm! Uai!? De onde vem essa bicharada? Oinc, oinc…. Putz, cadê!? Au au, au au..., Bééé bééé..., Cacareco..., Coo coo..,. Croac croac..., Hissss... Hiiiii..., Oinc oinc..., Piu piu..., Quá quá..., Rugido! Cruzes, valha-me Deus! Que isso? A Amazônia veio com tudo genti do céu! De repente, dentro de um caminhãozinho de transporte animal, fedendo a bosta de vaca, a calourada de Biologia passa na rua pagando trote. O veículo ia a quase 10 por hora que era para causar espanto aos desavisados. Pensa num trupé de bicho gritando dentro de um cercadinho em movimento, e fedendo a bosta de vaca, ecaaaaaa! Tá explicado os três tipos de arrepios de antes.
Originais, fantásticos! Gostei. Como será o trote da minha turma? Ansiosa já, faltam só cinco dias para o ponta pé inicial, como será gente!? Olho para o lado, ninguém à vista, ainda bem, tenho mania de conversar comigo mesma na rua, gesticular e tudo mais, meus pensamentos têm vida própria só pode! Cruzei com uma garota na rua e tive uma sensação de "déjà vu", nossa que estranho! Sensação de que já fiz aquilo, naquela mesma hora e com aquela mesma roupa e vi aquela mesma pessoa, temos que começar a investigar os déjà vus. Na verdade, curiosa que só, fui ver e encontrei algumas coisas interessantes das quais queria entender por mim mesma o que era essa sensação de déjà vu, pois ter essa experiência mexeu com meus sentidos, então, li que esse tipo de sensação pode ser uma ocorrência psicológica em que um indivíduo sente familiaridade com uma situação ou experiência atual, mesmo sabendo que isso é logicamente impossível. Mas uai, se fosse impossível não havia aparecido da forma que foi e como foi, aquela sensação estranha me perseguiu o dia todo.
Tá, tá, eu sei que o termo "déjà vu" tem origem na língua francesa, traduzindo-se como "já visto", e daí que os franceses descobriram uma carrada de coisas mais cedo que outros cientistas?! Quero entender essa sensação por mim mesma. Sei que são numerosas as teorias que foram propostas na tentativa de elucidar e compreender esse fenômeno intrigante, e que me intriga muito. O déjà vu pode ser atribuído ao processamento neural duplicado, conforme proposto por uma teoria. De acordo com esta teoria, uma falha na transmissão de informação entre várias regiões do cérebro pode criar a ilusão de que a experiência presente foi previamente registada. Uai, mas péra aí, eu não tenho falha nenhuma não, e naquele dia, naquela passagem, na travessia com aquela moça, eu estava me sentindo muito bem comigo mesma, eu lembro bem de tudo. Que esse hein, neural duplicado, aff...
Por outro lado, também li que o déjà vu poderia potencialmente resultar de uma lembrança inconsciente, de acordo com uma teoria alternativa. A ciência diz que é possível que as circunstâncias presentes tenham semelhança com um encontro anterior que desapareceu da memória, levando o cérebro a perceber a situação como familiar, apesar de não ter uma lembrança clara da experiência original. Eu digo que nemmm fodendo! Cêis acha?! Passando no mesmo caminho por anos eu não... mas báh... não ia se recordar? E a questão nem é essa, mas a sensação de estar em outro universos, ou dimensão paralela. Tem uma carrada de teorias jesuxxxx, parei... parei, parei. Quero saber mais não. Não vamos complicar nossa vida tão cedo ôh dona consciência, chega viu!
Chegando do trabalho, banho tomado, é hoje… Trote da turma de Letras, Administração, Contábil e Pedagogia, tudo junto e misturado. Cheguei, nenhuma novidade, música rolando, cerveja, whisky, batidinhas, caipirinha, é…. Nada mal. Ninguém conhecia ninguém, do povo que coexistia em minha vida, só sobrou eu fazendo Facu nesta Terra de deus, fundão do Brasil, os quinfas das sandálias de Judas. Dizem que Judas estava puto, meketrefe lazarento, do território de Judéia lançou sua sandália em Mato Grosso.
Certeza que não era Hércules? Não anta parabólica, é só uma referência cômico-irônica. Tu és lerda hein!? Claro…. Isso sou eu confabulando com meus próprios neurônios. De longe avisto alguém da mesma sala que estudava no Ensino Médio, não acredito, não sou a única desgarrada neste local; embora eu seja do bem, evitei-a; a guria tem sido uma praga invejosa dos infernos, uma pata nas aulas de Ed. Física, mentirosa, suja… Cheeeega! Tá certo, chega. Enfim, a guria não valia uma farofa, sem caráter, nem beirei proximidade ocular. Eu queria não lembrar, mas há pessoas que marcam nossa vida negativamente de tal forma que não há como não sentir a mesma sensação da primeira vez como foi doída todas as vezes que fitar meus olhos nessa fia duma rapariga! Essa rapariga teve a capacidade de subir para arremessar uma bola de handebol, e eu ali, parada na barreira, deixei a jumenta se divertir um pouco né, nem subi na barreira para impedir ela, fiquei ali olhando, e plaft... Caiu, torceu o tornozelo, sozinha, do nada.
Noutro dia, prova de matemática, estudei pra cacete, ia me dar bem nessa. A prova já na mesa, olhei… Professora gostaria de falar com a aluna “X”, era bem eu, virei a prova, saí, fui até a coordenação, lá estava a mãe da infeliz. A guria inventou uma história estapafúrdia do caralho para coitada da mãe. Tive que desmentir a guria na frente da pobre, ainda exigi a presença dela ali na sala, nisso os nervos já estavam a flor da pele; ohh vontade de socar a mão nessa lumbriga estúpida. Ela chegou, ficou mais pálida que já era, perguntei, como foi mesmo a história do seu tornozelo garota? Tem certeza de que empurrei você a dois metros de distância e chutei seu tornozelo? Ahhh não, não mãe, eu me enganei, não foi assim. Lambisgoia do capeta, essa vai ser uma que na vida cairá na sujeira para conseguir o que quer.
A mãe da moça pediu-me desculpas e a coordenadora também. Uma falta de bom senso dessa coordenação no meu ponto de vista, a turma em prova, e ela tira um indivíduo do processo de uma avaliação escolar, que no caso era eu, mesmo que não fosse, que fosse qualquer um, irrelevante a atitude, falta de profissionalismo, e muito! Ao voltar pra sala, a raiva era tamanha, que assinei o nome e entreguei a prova, não conseguia raciocinar nenhum sinal que seja. Diretamente este momento me rendeu uma reprovação por três décimos em matemática. Águas passadas, nem lembro mais; carrego um ditado comigo, o cara lá do céu um dia cobra tudo de todo mundo, cedo ou tarde a cacetada vem. Não preciso cobrar nada, ele vê tudo, sabe tudo e cobra duro.
A inveja é um sentimento podre, gera cobiça, passam por cima da felicidade de outrem, da superioridade de outrem, seja na beleza, na afinidade com esportes e outras disciplinas, seja no trabalho, enfim, são muitos exemplos, infinitos. A sensação indomável de possuir o que não lhe pertence é realmente uma fraqueza que destrói e magoa; foi a primeira vez que senti minha vida ameaçada por outra pessoa, foi ali, naquele momento, que percebi o quanto era feliz com tudo o que tinha e o quanto ela era infeliz por ter o mesmo e não ser eu. Eu não era nem tão fodona assim, jogava bola, tudo quanto é esporte, ganhava troféus e medalhas as pencas, tirava muitas notas boas no boletim, fazia amizade fácil, cabelão na bunda, pobre de marré deci, dimdim do trabalho era para pagar a Facu, sem grana alguma, mas com amigos insubstituíveis.
Se me perguntarem o nome dessa vaca, desconjuro!? É uma abelha esquecida, pejorativa, sendo esmagada no porrete dos meus pensamentos. Sai desgrama! Brincadeira, sou da paz, sempre fui, posso contar nas mãos fechadas as vezes que gritei, xinguei, levantei a mão para alguém como ofensa de verdade, nunca, nenhuma vez. Aatchinmentira! Cala boca! Meu subconsciente é meu pior inimigo. Em quadra não conta, nem vem, no máximo foi “vou te pegar sua puta”, “vem cá sua vaca”, “ramera”, cotoveladas, beliscão, coisas leves. Já na faculdade, a galera ainda se esbarrava nos jogos a fora, estadual, brasileiro, tomava o porre. Quase todos universitários, cada qual jogando para suas respectivas cidades e Universidades. Uai e o trote da turma, não vai contar? Que!? Foi tão ruim que já acabou, sem lembranças.
Só tem mulher nessa turma de Letras cruzes..., a primeira faculdade de letras da cidade e, opss… One Moment. Tem um caroço aqui no meio, 40 mulheres e um homem, isso não vai prestar. Não por causa do sexo oposto, este não era interessante, era legal, mas não interessante sabe… É que cinco mulheres juntas já é um deus nos acuda, imagina quarenta. Salve-se quem puder! Panela e panelinhas pra tudo quanto é lado, sentei lá na frente e logo as amizades se formaram ali. Semana que vem tem Jogos Abertos em Sinop, 300 km, e já estava com a mochila pronta, handebol Forever. Outra rotina de vida essa aqui, trabalho o dia todo dando aula para adolescentes do Ensino Médio, mais à noite báh, vou pra Facu à noite e treinos de handebol nos finais de semana.
Partiu Sinop, incrível como sabão crá-crá e a chicotada na barata ainda fazem sucesso, cada um sentava onde queria, treinador tava nem aí, tudo crescido e de maior esse povo, que se foda. Contudo, não me perguntem o porquê, mas os feromônios não estavam tão exaltados, as sacanagens diminuíram, pelo menos na ida, na volta o povo sempre encarnava ‘Os Goonies’. Três dias de jogos, sexta, sábado e domingo, uma paulada atrás da outra, dois a três jogos por dia de cada equipe, chegamos a semifinal na manhã do domingo. Semifinal contra Cáceres, putz…. Vai ser barra, as gurias são feras. Não deu outra, oito horas da manhã, a derrota por 21 a 15, descanso de uma hora e a disputa do terceiro e quarto lugar contra Lucas do Rio Verde, mais uma barra pela frente, com custo ganhamos nas últimas também, 14 a 15 suados.
Parte da tarde e da noite teríamos que esperar os amigos que estavam disputando as finais. 22:00h e a fome já estava massacrando o estômago, de longe as gurias do futsal feminino de AF daquela Floresta gritam, bora galera do Hand, churraassssss.... Levantamos no pulo, nem olhamos pra trás, caracasss…. Churras, cerveja e caipirinha. Ohhh povo ganha aí que a noite na interprise vai ser da hora, partiu churras… Ohh coisa boa, carninha da hora, cervejinha gelada, caipirinha docinha e Martinho da Vila arrepiando, ôh cassete. Vamo que vamo, mais rodadas, seis lazarento, chama doze não que vai morre nadano, já não se falava mais as palavras inteiras depois de seis caipirinhas deliciosas. Olha o truco ai... seissss miooooo, iiirrruuuuuuu, praga, corre desgrama, vai… Piô bunito. Mais otra dupra pra mó de nóis ganhá mais desses patusss, tá depenando os donos da casa aí Héle, opa… com moderação claro.
Genti, deu aqui, o juca tá me chamando bem ali já vorto. Pula pro banheiro, juuucaaaaaaaa…. Uuuuuuu…. oorrrrrrrrrrcaaaaaaaaa…. Lanterna dos afogados, uuuuccaaa… Vidjhiiii, tô virando ET, Eta ferro... saiu um trem verde dus estrombigusss. Lava boca, a cara, deita na cama em um quarto qualquer e pacóto. Passados quatro horas, Zeca pagodinho começa a chamar “deixa a vida me levar (vida leva eu!)”, pensei, leva eu não Zé, aqui tá baummm. Abri os olhos devagarinho e alguém estava deitada ao meu lado, oi, tudo bem? Perdi muito da festa? Não, que nada. Você joga demais, estava cuidando pra ninguém te incomodar. Nossa obrigada! Galera ainda tá aí? Tá sim, os meninos chegaram, estão jogando truco e começando os agitos. Ah, beleza, vou fechar os olhos um pouco mais, quebrada. Tá! Vai lá com o pessoal, eu tô bem, tô indo.
Não demora muito, ela volta, mas é o capeta mesmo, finjo dormir profundamente, acordada estou, mas o corpo não quer arriar da cama. Sai do quarto, entra três atletas de futsal, opa o quarto tá ocupado; não, não gurias, podem ficar, meu corpo que está uma carcaça desidratada, já já vou, viro de costas pra parede do quarto, elas sentam na cama, começa o bate papo. Umas na cabeça, mãos bobas, leves e taradas. Rola beijo entre as três, escuto os gemidinhos, viro pra elas ainda deitada, uuooouuu... Querem que eu saia? Não, não, pode ficar, não quer participar não? Não meninas, tô de boas aqui. Posso só ver sem esboçar reação nenhuma? Meu corpo é uma pedra de 1 tonelada no momento. Fica aí, divirta-se!
Eu não sabia bem se queria mesmo ficar, cachaça da disgrama, o corpo nem respondia. Fiquei, assistir a algo não programado por convite é algo novo, elas nem se incomodaram comigo, fizeram convite, ou seja, não era a primeira urgia delas. Parecia mais um ritual, se estivéssemos na Grécia antiga diria, e aí my brother Hesíodo que tu achas? Mas como não estávamos, observei a relação sexual das moças como se observasse Eva colher a maçã pecaminosa, não chegava a ser um bacanal, mesmo que nunca tivesse visto um, li sobre isso, e realmente não era nem suruba; elas eram doces, delicadas no trato uma com a outra, loira, morena e ruiva, nuas na cama, porta do quarto trancada, e eu de esbórnia com meus deleitosos pensamentos.
Batem na porta, era a filha do capeta querendo me lamber os ossos, não abram não gurias, diga que fui embora. Pronto, sossego e um filme em 3D de primeira classe; a ruiva ficava no meio sentada com as pernas cruzadas, escorria suas mãos sob a face e os seios da morena (Lola), ouvi elas falarem, gravei no beijo que ambas entrelaçam; agora, no excesso de euforia de ambas a loira (Sara) tira sua camisa 6 do time e por traz encosta seus seios na ruiva, abraçando ambas, tocando nos seios das duas, sugando o pescoço da ruivinha qual não descobri o nome ainda. O ritual continuava, não havia bagunça, não diria que pudesse ser uma extensão da anarquia ali. Era uma orgia, certeza; mas não era exagerado, era doce, não beirava as orgias dos carnavais, nem mesmo aquelas nas assembleias noturnas que sempre ouvimos dizer mais nunca vemos de fato.
Na medida certa, no tempo certo, uma saciava a outra, de repente uma corrente se forma, ali meu corpo deu sinais de vida, mordi os lábios tamanha maravilha da Grécia. Lola deitou-se com as pernas semi-abertas, Sara deixou a ruiva por um momento e se deitou sobre Lola, ambas se beijaram sutilmente, Sara deixava pequenas marcas vermelhas em Lola, deslizava sua língua sob os seios de Lola, e a ruiva também gostava de apreciar as duas, enquanto mordia seus lábios eu percebia seu desejo e o quanto aquela visão a deixava excitada. Ela se tocava, tocava seu íntimo, penetrava os dedos em sua vulva rosada, Sara abriu as pernas de Lola completamente, suavemente, devagar, sem pressa desmedida e eufórica dos homens, beijou-lhe os joelhos, as coxas, a virilha, lançou a língua entre os lábios carnudos de Lola, marquinha de praia, morena cheia de desejos, arcava seu corpo pra trás em resposta do sutil toque de língua a seu clitóris.
Lola chama a meiga ruivinha, ela pergunta, sussurram no ouvido, Alexia colocou-se quase de cócoras para Lola aos gemidos, branca feito leite, parecia não tomar sol, estava sedenta de desejo. Sara penetrava o canal da vagina de Lola, esbaldando os dedos de saliva e fluidos vindos das glândulas de Skene lolísticas, enquanto sua língua permanecia a brincar próxima ao clitóris e a abertura da uretra. Já não sabia mais distinguir os gemidos, qual pertencia a quem, uma mistura de sons que emanavam prazer mútuo, subliminar ao toque das mãos e bocas ali presentes. Por um segundo quis cair na farra, mas não, a cena exótica estava plena, tom sob tom, uma já conhecia a outra, deixe-as trabalharem suas vontades sacanísticas.
Alexia parecia não suportar tamanho prazer, Lola não era tão doce no trato quanto Sara, sugava-a com força, arranhava seu bumbum branquinho, via as marcas de longe, apertava-a contra sua boca, abocanhando-a num todo. A ejaculação da mulher não é na verdade uma ejaculação. As mulheres não têm, certamente, instrumento preciso para tal feito, na verdade, é um líquido expelido pela uretra enquanto as glândulas de skene são estimuladas próximo ao canal da vagina. Putz, valeu teacher de Bio, recuperação no 2ºBi do terceirão porreta, lembrando de tudo. Enquanto Lola se contorcia de prazer, ainda sedenta, focava-se em Alexia, “a língua lambe sem pressa a linguagem subentendida do gozo, prática dos nervos no ápice da língua, na margem da língua, no dorso da língua, na ponta doce, que sente o doce, que toca vigoroso o líquido do orgasmo”.
Alexia gritava, quase sufocada, assim se desposicionou, deitou-se no frisson da cama, excitação intensa, emoção forte ao conquistar frequência cardíaca explosiva, quase a toquei, estava tão perto, tão próxima; agora Lola podia se focar nela mesma, Sara causava-lhe alvoroço pela sensibilidade do toque, ela gostava de ver a vulva pulsando de prazer, quase conversavam com as loucuras. Alexia sentia ainda fazer parte daquilo, queria participar do lance, voltou-se a Lola, sussurrou-lhe coisas gostosas, beijou-a, lambeu sua boca, seus seios, mordia-os levemente. Buscou a nuca de Sara, sua boca parecia tremer de desejo por estar a fazer tal lampejo entusiástico cheio de sabor, repentina excitação nova.
Lola sabia aproveitar, Sara sabia prolongar a tese e Alexia queria mais diversão. Da nuca para as costas, leves mordidas, não havia como não molhar a calcinha, salivar; Alexia foi… beijando tudo, posicionou-se deitada entre as pernas de Sara e disse, desce amor, quero sentir seu gosto, sua tara, seu frisson. Várias pessoas acreditam que a ejaculação da mulher é uma lubrificação em excesso durante o orgasmo, pois acho que Sara já devia ter tido alguns no percurso da transa. Algumas mulheres produzem sim muita lubrificação durante o orgasmo, a vagina se contrai e o líquido se expele; mas há aquelas que transbordam em fluídos, simplesmente por estarem ali, durante o clímax o fluido escorre entre suas pernas, como nas minhas mesmo inativa a ocasião. Sara desce seu quadril na altura perfeita da língua de Alexia, ela gostava de usar as mãos, lambuzar-se, cuspiu na vulva a sua frente, esparramou tudo, dedinhos mágicos, Sara urrava, estava se desfocando de Lola.
Lola sentia que era o momento de se deixar vulcanizar, deixar as correntes sanguíneas correrem ao ponto de parar de respirar por segundos, explodir o suco do amor na boca de Sara, e assim, Sara separou o melhor chupão da história para desfrutar dos gemidos líquidos de Lola. Ahhhh… Prazer, prazer imensurável essas três buscavam numa tarde de domingo. Lola ainda em estado estático, absorvendo-se das palpitações clitoríticas, levanta-se e consigo Sara em um beijo apaixonado.
Talvez surja daí uma história de amor, talvez não, talvez só a melhor transa da vida delas e alguns reencontros futuros penso. O beijo enlouquecido de ambas deixou Sara mais afoita, valente, ela segurou Lola pelos cabelos enquanto era chupada por Alexia, entrelaçaram mais beijos esbaforidos de tesão, e no ápice do orgasmo gritou muito, mordeu Lola, quase se descontrolou, foram minutos de urros sedentos. Veio o abraço, o carinho no cabelo, os sorrisos, o toque suave da face, o dedo lambido, ambas se apreciavam, olhavam-se com ternura. E eu, tentando racionalizar toda essa informação, como é possível haver o desabrochar de um sentimento, o desabrochar de um olhar puro? Como é bonito e ao mesmo tempo diferente. O amor entre as pessoas do mesmo sexo já existia bem antes da existência de “Alexandre O Grande”, isso é natural, é da natureza humana atrair e ser atraído. Mas a sociedade foi tolhida por doutrinas que se dizem puras, e assim permaneceram, cruéis e excludentes.
Eu nunca tive uma experiência desse gênero, ou doutros, que não aqueles permitidos pela sociedade, não que eu não pudesse, mas é que, mesmo achando linda a liberdade de se amar e ser amado, ainda era hétero demais para aceitar qualquer troca de experiência, ingênua demais quanto a raiva da sociedade, e por isso, não arriscava sair da linha. É chegada a hora de partir, 20:00 h, o pessoal já havia recebido as medalhas que lhes cabiam. Saímos do quarto e a filha do cão me olhou de cima em baixo, fiz de conta que nem a vi, segui rota. Meninas, eu nunca tinha visto nada assim, olha, eu descobri hoje que gosto de ser hétero, e que o preconceito é uma bosta pentecostal criada pelas elites sacras, um lixo. Adorei ter presenciado tudo, espero que não fiquem magoadas por eu não ligar de não ter participado, contudo observei não só o externo de suas ações, mas o núcleo que as dominava, e eu vi algo muito bom ali. Relaxa Héle, a gente sabe que você adora uns corpinhos cheios de tanquinhos abdominais e tríceps robustos. Jajajajaja... No se cuenta todo a todo el mundo. Enfim, novas amizades, novas experiências.
O mal das pessoas está na consciência que elas têm do mundo, se o conhecimento é pequeno, a reflexão sobre as ações humanas será pequena, tornando-se estúpidas por serem práticas de culturas antigas. O empírico é uma arte que me toca mais afundo, observar as ações humanas tem me proporcionado criticidade, além da arte e da poesia ali, olhar com minúcia a textura da pele, o jeito de amar, na forma de amar o outro, na maneira que a válvula sente, escorrer quente, deixando-lhe úmido o sexo complacente. Talvez a Universidade tenha pra si todas as floras e faunas, talvez a coragem aflore, talvez e só talvez, seja a válvula de escape do entendimento por ser diferente, irreversivelmente diferente. A construção de si para o mundo, maneira implícita de desbravar muros de concreto sacralizados, mas, explícita ao vento, solto como um sopro ao sabor da vida.
Depois dos vinte... Será que estou mudando? As gírias, não estão mais na boca, a informalidade se distancia do meu ‘eu’ nos corredores da universidade, nas inúmeras responsabilidades do trabalho. Imaginem uma menina de 15, 16, 17 anos lecionando diurnamente para alunos de sua própria idade, articulando linguagem para não se parecer com os seus, tão iguais como eram, pela faixa etária e outras características de adolescentes preguiçosas de se escrever aqui, e ao mesmo tempo, ao cair da noite, o encaixe acontecia ao se juntar aos seus.
Tudo vai mudar? Transformar-se concomitantemente? Não consigo mais chamar meus amigos de “bocó”, “tobó” e “biscate”. Sei lá... parece que não sou mais eu dos 15 aos 17 anos de idade, embora seja tão e tanto como a menina de sete anos que levou um tiro em uma noite de Natal em um bairro de classe média em Dourados – Mato Grosso do Sul – e da menina que aos 12 anos salvou a amiga e a si própria da morte na fuga de um tarado, uma corrida entre a escola e nossas casas. E sim, tão parecida com a menina de 12 anos, que saiu em busca de emprego batendo de porta em porta nos comércios de uma cidadezinha bem longínqua do mar, a mesma menina que encontrou emprego em uma lojinha do interior e contou a sua mãe com muita alegria da notícia, e que guarda na memória suas palavras neste momento “filha, eu fico feliz que tenha encontrado um emprego, mas enquanto a mãe tiver saúde para trabalhar, eu quero que você só estude, e se dedique aos estudos”.
Ela aposentou-se professora.
Eu continuo a estudar... pensamento inquieto.
CONTINUA NA PRÓXIMA QUARTA...
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| Andréia Kmita |
Andréia Kmita é natural de Campo Mourão - Paraná (25/04/1977), região Sul do Brasil, migrou com a família de ascendência italiana e ucraniana para o Norte do país. Docente na Educação Básica (Ensino Médio) na SEDUC/MT desde 1992. Graduada em "Letras"(1999/FADAF). Mestre em Literatura e Crítica Literária (2018/PUCSP). Pós-graduada em “Psicologia e Coach” (2020/Faculdade Metropolitana de Ribeirão Preto - SP). Em 2021 cursou “Terapia Cognitivo-Comportamental: Princípios Teóricos e Epistemológicos” e “Introdução a Psicanálise Freudiana” no Portal de Psicologia (in)Formação. Fez parte de grupos de pesquisa na PUC-SP sobre poesia e crítica literária em 2015 e 2016. Integrou o grupo de pesquisa da Profa. Dra. Telê Ancona Lopez USP (FFLCH) 2015/2016/2017 sobre o “Trabalho do Crítico”. Atuou como Coordenadora Pedagógica na escola especializada em Educação no Sistema Prisional de Mato Grosso de 2019 a 2020, onde escreveu documentos de suma importância para o Estado de Mato Grosso no segmento educacional PPL (Privados de Liberdade). Em 2021, iniciou o Doutoramento na FLUC (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra) em Línguas Modernas: Culturas, Literatura e Tradução. É Poetisa, escreve contos e roteiros de curtas, escritora de projetos políticos educacionais e culturais.
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