Eu
joguei futebol de botão na minha infância e adolescência, e era razoavelmente
bom jogador, pois além dos meus campeonatos próprios em que o Grêmio sempre
ganhava, ganhei alguns campeonatos em escolas, alguns outros "oficiais" e outros
organizados por amigos.
Mas
era no chão de minha casa, quando jogava sozinho que a magia acontecia: eu
narrava as jogadas, comentava as partidas e entrevistava os jogadores.
Era um dos meus mundos particulares que eu mais gostava.
Todos os dias haviam rodadas, taças, torneios, amistosos. Eu escrevia tabelas, contava pontos e gols. Era um momento de felicidade.
Ainda
hoje lembro-me do dia em que eu parei de jogar, foi quando meu amigo Alexandre
entrou no meu quarto e ralhou comigo:
-
O meu, jogando botão? Como tu quer ficar com aquela mina se tu ficas jogando
botão no chão do quarto?
Ele
se referia a Joice, uma moça muito bonita que tinha 18 anos e que por um
"sei lá o quê" tinha se encantada por mim, que era três anos mais
novo e vivia retribuindo os meus olhares nas noites de sábado da Sociedade
Espírita Simão Pedro em Alvorada/RS.
Aquilo
mexeu comigo...
Nós
duas noites de sábado subsequentes não houveram rodada, fiquei pensativo
demais.
Nunca consegui de fato falar direito sobre meus sentimentos com quem me apaixonei na vida, quase sempre me atrapalhei e acabei me afastando ou sendo afastado, sempre fui tímido, e acho que isso sempre fará parte do que eu sou.
E
num sábado ficamos Joice e eu sentados lado a lado, eu o tímido paquerador e
ela a menina mais velha. E foi ela quem puxou conversa falando do que ela
gostava de fazer: sair, dançar à noite, ir ao parque, e então ela perguntou e
vc Jorginho o que gosta de fazer?
Eu
senti o meu rosto corar, olhei timidamente e falei:
-
Desenhar, ler e jogar botão.
Ela
se desconcertou, e falou
- Botão? Meu irmãozinho joga isso.
A
conversa foi minguando, os olhares recíprocos terminaram, e eu fiquei..., bom
eu fiquei só...
Guardei
os times de botão e os meus cadernos em uma caixa por alguns anos, depois eu
dei de presente para um primo meu.
Acredito
que aquela ruptura foi a mesma que eu tive quando descobri que Papai Noel não
existe. Algo se rompeu.
Mas confesso que quando penso no futebol de botão, algo aquece dentro de mim, e que ando pensando em comprar dois times para poder brincar comigo mesmo novamente.
Acho que uma hora dessas u irei realmente comprar, eu
mereço dar um oi para aquele menino desajeitado.
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| Arte: Miriam Coelho |

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4 Comentários
Bom texto do jogo de botão. Eu joguei muito, com meu pai e irmão, peincipalmente.
ResponderExcluirAqui é o Jorginho, muito obrigado pelo seu comentário Arthur! Futebol de botão é saudades pura
ExcluirBaita texto amigo Jorginho. Emocionante .Também joguei futebol de botão. Lembro que colecionava os escudos dos times e seleções que vinham de brinde na revista Placar. Só pra te consolar: o Carlos Gerbase, 60 e poucos anos, ainda joga com os amigos. Aquele abraço.
ResponderExcluirMuito obrigado pelo comentário Paulo, comprei muito a Placar pelos escudinhos. Estou pensando seriamente em voltar a jogar
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