
Jorginho e a luta das letras
Bem-aventurados
os sonhadores, porque deles será o mundo das artes! Quando há oito anos
Jorginho e Santigo criaram o ColetivArts abriu-se uma nova dimensão do
espaço-tempo: surgiu um lugar internético em que explodiram desenhos, histórias e poemas vivos, reunindo patotas,
textos e contextos. A galáxia se expandia mais uma vez, em forma de palavras,
produção gráfica e muito borogodó (acho a palavra muito sonora, faz tempo que
tenho vontade de usar).
Agora que tudo isso existe, parece fácil dizer “eu sabia!” e adivinhar que tudo tem um propósito, até mesmo erratas publicadas no lugar errado. Fácil bater palmas sentados no sofá macio, confiados que existe um ser que cuida de tudo e de todos, agente literário onipresente nas cores e formas de nossas publicações. Mas é preciso lembrar que não é fácil lidar com pessoas, prazos, financiamento e com os limites da criação, esta que tantas vezes nos angustia, ameaçando ser mal criada. Mais uma razão para louvar esse guerreiro das letras que separou luz e trevas em época difícil, quando não havia nem verbo e verba
Tive a felicidade de encontrar Jorginho e de ser convidado para participar do projeto, misturando-me a tanta gente boa. Fui trazido pela mão segura de Yvonne Miller, essa escritora de dois continentes, autora de histórias cheias de vida, onde mergulhamos e passeamos em crônicas de natureza e de encontros. Na época (final da pandemia do COVID) era fundamental encontrar quem tramava a esperança no mundo: a realidade se fazia real demais, era preciso esquecer de tanta coisa ruim, de pensamentos e de palavras vis, afastar a morte e o ódio cotidianamente ofertados para consumo.
Pois
o grande Jorginho driblou as dificuldades e fez, seguindo o caminho mais trabalhoso,
longo e verdadeiro: o do sonho. Mirou a lua lá em cima, viu o Dragãozinho das
Letrinhas (a distância diminui o tamanho, como sabem os oculistas), comprou a
luta, ambicionou a realidade do impossível. Juntou-se com outros, somou forças
e muita paciência, empenhou-se, acreditou, cobrou, prestigiou e tem sido
prestigiado. E então a ficção, tinhosa como ela é, se fez realidade, em promessas de luz, que
meteoro não faz só cratera lunar. Por isso e por muito mais que está por vir, viva
Jorginho! Longa vida a essa coletividade que se faz arte! Com muito boró…(já
sei, já sei. Não precisa falar de novo).
| Paulo Malburk |
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| Arte:Waldemar Max |
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1 Comentários
Oi, sou a Isab-El. Parabéns, Belo texto.
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