
O Lápis que Silenciou o Medo: Adeus, Marjane Satrapi

Em 04 de junho de 2026 o mundo ficou um pouco mais silencioso. Marjane Satrapi , a mulher que transformou sua própria vida em uma das maiores obras de arte do nosso século, partiu aos 56 anos. Ela não tinha superpoderes, mas tinha um lápis e uma coragem que derrubou muros invisíveis.
Persépolis Não é apenas um gibi. É um grito. Marjane era uma menina no Irã quando a Revolução Islâmica aconteceu. Imaginem: em um dia você ouve punk rock e usa jaqueta jeans; no outro, o véu é obrigatório e seus discos de música 'ocidental' podem te levar para a prisão. Na obra, Marjane nos mostra o Irã pelos olhos de uma criança que cresce em meio a bombas, censura e perdas. Ela nos ensina que, por trás de todas as notícias políticas que vemos na TV, existem pessoas que amam, que brincam, que sofrem e que querem ser livres.

Marjane teve que sair do seu país. Viveu o exílio, o preconceito na Europa e a dor de estar longe das suas raízes. E ela desenhou tudo isso em preto e branco. Por que sem cores? Talvez porque a dor e a verdade não precisam de artifícios. Elas são cruas.
Eu conto isso para vocês hoje porque Persépolis é uma lição sobre Identidade. Marjane dizia que 'se morrermos, que seja com dignidade'. Ela viveu para contar a história de quem foi silenciado. A autora se foi, mas Marji — a menina do livro — continua viva em cada página. Ela nos ensina que a cultura é a nossa maior arma contra a ignorância. Ela nos ensina que ser um 'imortal' nas artes não é viver para sempre, mas fazer com que sua voz continue ecoando quando você não puder mais falar.
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| Sandman |
Sandman é Professor da área de Linguagens e Códigos, Artista Plástico, Fotógrafo, Pesquisador de hqs e dono da Sandteca, uma Biblioteca de Gibis Localizada na Rua Raimundo Valmir Almeida, 59. B. Manoel Castro Filho, cidade de Guaramiranga, Ceará.


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