DICAS DA SANDTECA

O Peso da Chama: A História de Tommy Hanson

Vocês acham que ser herói é só bater em vilão e salvar o dia, né? O John Byrne, um mestre absoluto, decidiu mostrar o outro lado da moeda. O lado que ninguém quer ver.

A história não começa com o Quarteto. Começa com uma assistente social chamada Janet Darling. Ela está exausta, segurando um relatório. Ela está tentando entender a morte de um menino de 13 anos: Tommy Hanson. Quem era o Tommy? Ele era como muitos de nós. Um fã apaixonado. Mas o herói dele era Johnny Storm, o Tocha Humana. Tommy via o Johnny voando, brilhando, sendo o centro das atenções, e ele queria aquilo. Ele queria ser especial. Ele queria 'Em Chamas!'.

E aqui vem a parte que dói. No silêncio de sua garagem, o pequeno Tommy, na sua inocência desesperada de criança, achou que se fizesse o que o herói fazia, ele também ganharia poderes. Ele se banhou em gasolina e riscou um fósforo. Ele não virou um herói. Ele sofreu queimaduras de terceiro grau em quase todo o corpo. E, depois de dias de agonia, ele morreu.

Tocha Humana fica sabendo disso. E o John Byrne desenha o Johnny de um jeito que a gente nunca viu. Não tem o sorriso de playboy, não tem a arrogância. O que vemos é um homem destruído pela culpa. Johnny vai ao hospital, ele tenta entender, ele fala com a assistente social. Ele se pergunta: 'Como eu pude deixar isso acontecer? Como a minha vida, que eu achava ser um exemplo, levou um menino à morte?' Johnny chega a pensar em desistir de tudo. Ele percebe que a imagem dele — aquela chama brilhante que ele usa para se divertir e lutar — foi a mesma chama que consumiu a vida de uma criança que só queria ser como ele. No final, não tem final feliz. Tem um herói em crise, carregando um fardo que nenhum superpoder consegue aliviar. A história termina com o Johnny visitando o túmulo do Tommy, em silêncio.

Eu conto isso para vocês, leitores, porque o que a gente faz tem impacto. O que a gente desenha, o que a gente fala em grupo de Whatsapp, o que a gente posta no blog... Isso molda cabeças. Ser herói não é ter o poder do fogo; é saber que o seu brilho pode tanto guiar alguém no escuro quanto queimar quem está por perto se você não for responsável com a luz que carrega. Tommy Hanson não queria morrer. Ele só queria voar. E o Johnny Storm aprendeu, do jeito mais cruel possível, que a maior responsabilidade de um herói não é salvar o mundo, é ter consciência do que ele representa para quem o observa da calçada."


Sandman

Sandman  
é Professor da área de Linguagens e Códigos, Artista Plástico, Fotógrafo, Pesquisador de hqs e dono da Sandteca, uma Biblioteca de Gibis Localizada na Rua Raimundo Valmir Almeida, 59. B. Manoel Castro Filho, cidade de Guaramiranga, Ceará.


"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."

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