
O Monstro e a Humanidade: Na Sombra da AIDS

Hoje não vamos falar de radiação gama que dá superforça. Vamos falar de um vírus que tira tudo. Nesta história, o Bruce Banner (que na época estava numa fase em que a mente dele controlava o corpo do Hulk) vai visitar um velho amigo: Jim Wilson. O Jim era um jovem negro, sobrinho do Falcão, que acompanhou o Hulk em muitas aventuras. Mas agora, o Jim não está em um campo de batalha; ele está em um leito de hospital, definhando. Ele tem AIDS.
Lembrem-se: estamos em 1994. O estigma, o medo e a falta de informação eram gigantescos. O Hulk, o ser mais forte do mundo, está ali, impotente. Ele vê o Jim sendo atacado por manifestantes ignorantes do lado de fora do hospital. O Jim está morrendo e as pessoas estão gritando ódio. O Hulk entra no quarto e o Jim faz o pedido mais difícil de todos: ele pede para o Bruce dar um pouco do seu sangue regenerativo para 'curá-lo'.

E aqui entra o drama ético, pessoal. O Bruce sabe que o sangue dele é instável. Ele não sabe se vai curar o Jim ou transformá-lo em um monstro pior ainda. Ele tem que dizer 'não' para o último desejo do melhor amigo para protegê-lo. Imaginem o peso desse 'não'. Enquanto isso, em uma subtrama que corta o coração, temos a Betty Ross trabalhando em uma linha de apoio por telefone para pessoas com tendências suicidas. Ela recebe a ligação de um homem que desistiu da vida. Ele está em uma estação de trem. Ele fala sobre a solidão, sobre o vazio... E a Betty tenta, desesperadamente, mantê-lo na linha. Mas o som que ela ouve no final não é a voz dele, é o barulho do trem passando. Ele se foi.
No hospital, o fim do Jim chega. Ele morre nos braços do Hulk. E o que o Gigante Esmeralda faz? Ele não quebra o hospital. Ele não grita de raiva. Ele chora. Ele segura a mão do amigo e chora.
Eu trouxe essa história para vocês hoje porque ela nos ensina que existem 'Idades das Trevas' que não estão nos livros de história, mas nos hospitais e nas ruas. O Hulk nos mostra que a maior força de um homem não está nos músculos, mas na capacidade de segurar a mão de alguém no momento da partida, mesmo quando o mundo inteiro virou as costas. A 'Sombra da AIDS' não era sobre a doença em si, era sobre a sombra da nossa própria indiferença.
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| Sandman |
Sandman é Professor da área de Linguagens e Códigos, Artista Plástico, Fotógrafo, Pesquisador de hqs e dono da Sandteca, uma Biblioteca de Gibis Localizada na Rua Raimundo Valmir Almeida, 59. B. Manoel Castro Filho, cidade de Guaramiranga, Ceará.
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