
Ainda sobre o adestramento humano

Tenho alguns amigos com quem troco
escritos e vamos dando nossas impressões ou não sobre. Enviei a última coluna
que escrevi, a décima terceira Reflexões de um Inconformado, para ele dar uma
olhada. Ele comentou o quanto o assunto é vasto e que poderia ter explorado
mais a questão. Expliquei que o texto faz parte de uma coluna aperiódica e que
a questão do adestramento humano e o implante de desejos e necessidades
artificiais e comportamentos de submissão e obediência são tratados sempre.
Mandei o link das que já tinham ido ao ar
e ele conseguiu pegar a ideia. Na anterior passei pelo domínio religioso, pela
questão da competitividade implantada... Enfim...Mas venho passeando por outros
pontos desde o início destas Reflexões. Talvez seja o assunto mais tratado até
então. Claro que a ideia abrange outras formas de domínio e muito mais
comportamentos e necessidades inventadas, cuidadosamente construídas em nosso
eu, que ainda não citei, mas haverá tempo para tratarmos de tudo com a devida calma
e atenção. O fato é que a conversa animou meus pensamentos rumo a essa questão
e resolvi escrever algo específico sobre.

Normalmente já chegamos ao mundo sendo
registrados e recebendo números. A primeira instituição que molda nossa
percepção e visão de mundo é a família. Ela tem a missão de introduzir todos os
conceitos sociais para manter tudo exatamente como está, além de ir nos
acostumando a submissão e as regras socialmente impostas. Claro que a família
não age assim por entender exatamente o que está fazendo, mas são iludidos com
a ideia que estar bem ajustado fará com que eles tenham maior segurança e
conforto (mais ilusão). Sem falar no desejo de que o filho ou filha seja um
vencedor (Veja na coluna passada AQUI).
Depois vêm a escola, cada vez menos se
dedicando a ser um espaço de reflexão e pensamento, que poderia formar pessoas
com maior capacidade cognitiva, uma geração com a mente mais aberta e capaz de
construir um mundo bem diferente do que este show de horrores deixado pela
geração anterior. Para qualquer mudança concreta, substancial, o primeiro passo
necessário é que as pessoas aprendam a pensar pela própria cabeça. Contudo,
como isso poderia acontecer se a instituição que teoricamente deveria cuidar
dessa parte, serve de fábrica de cidadãos muito bem ajustados ao ciclo de
produzir e consumir? Preparar para este mercado de trabalho que aguarda sangue
novo para explorar, assim como um vampiro aguarda sua vítima passar
desprevenida. Estude, case e tenha
filhos. Trabalhe bastante e compre inutilidades indispensáveis. Padrões de beleza, de comportamento...

Ah... Antes disso, normalmente em uma família convencional, te empurram a religião seguida pelo núcleo Já familiar. Através do medo e delírios fantásticos se impõe a obediência, a servidão, a aceitação e outras formas de anular o ser humano autônomo, ousado e em desenvolvimento que existe dentro de todos nós. A rebeldia é tida como um defeito, algo ruim, do mal e que deve ser combatido pelos bons (Os bons seriam os que tiveram êxito durante o processo de lavagem cerebral). A submissão é premiada, assim como agradecer, mesmo que pelo sofrimento, é constantemente incentivado.
Paralelo ao trabalho destas instituições, outras frentes de controle e formação de um ser humano adequado a sociedade imposta como única forma possível vai trabalhando as mentes das crianças desavisadas que absorvem tudo como sendo verdadeiro e confiável. Tudo passado de forma doce e aparentemente inofensiva. A publicidade vai manipulando os gostos e dizendo como você deve se comportar, se vestir, sentir... e por aí vai. Com o tempo você vai achando bonito o que eles querem que você ache bonito, entenda tudo do jeito que eles entendem... Com o tempo, aquele que nasceu para ser livre, com autonomia, independente, capaz de fazer escolhas e chegar as próprias conclusões, vai se tornando um boneco, um marionete nas mãos dos que controlam este sistema baseado na exploração da maioria por uma minoria privilegiada.
Quanto mais a criança vai crescendo, novas instituições vão surgindo e empurrando suas "verdades" convenientemente estruturadas para manter todos na linha. Vem o serviço militar obrigatório, documentos e documentos transformando pessoas em números. Uniformes da última moda sugando toda a criatividade, personalidade e espontaneidade das pessoas...


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