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50 textos de pura teimosia
Participei da festinha de aniversário de 28 anos do Clube Literário de Gravataí, no qual o pessoal do ColetiveArts (Isab-El Cristina Soares e Tânya Lisbôa) fizeram uma bela e animada homenagem cênica. A Isab-El diz que o Clube Literário é o irmão mais velho do ColetiveArts.
Um clube literário chegar aos 28 não é qualquer coisa, é, guardadas as proporções, como esse autor chegar aos 50 (textos e não anos, porque esses já passei há muito tempo).
Homenagear o Clube Literário de Gravataí é homenagear a literatura, que faz parte das manifestações artísticas. E a arte, afinal, para que serve?
A utilidade da arte. Esse é um tema que atravessa gerações e faz muita gente boa pensar (e gente não tão boa também). Nesse mundo marcado pela produção e pelo consumismo a arte serve para o quê? Poderíamos viver sem a arte? Sim, mas não sem as batatas.
Então, ora bolas e carambolas, para que serve a arte e seu tentáculo alfabetizado, a literatura?
Marx (o Karl e não o Groucho), aquele que muitos odeiam e poucos leram, já escreveu há quase duzentos anos que o capitalismo transforma tudo em mercadoria, inclusive os seres humanos no processo da mais-valia. Com a arte é a mesma coisa, desde os quadros de Vincent van Gogh até o livro de contos desse que vos escreve, tudo é mercadoria, tudo está à venda, ao acesso de quem queira e possa pagar.
Claro, nem “Os Girassóis” de van Gogh e nem o meu “Contos Obscenos, Textos Proscritos” vão te aquecer tal qual um cobertor nessas noites de inverno. Então, repito, para que ora bolas servem?
Talvez a resposta possa ser encontrada em Freud, o pai da psicanálise, ao afirmar que o ser humano tem uma psique e que essa possui necessidades que vão além do comer e beber.
A própria origem etimológica da palavra psique nos diz muito, vem do grego e significa “sopro”, por analogia “o sopro da vida”, “alma”. Portanto, não somos somente corpo e suas necessidades básicas, temos e somos alma e a alma busca prazer, o prazer de viver. E é nessa busca do prazer que a alma se encanta com a arte e a arte nada mais é do que o supérfluo, o não essencial à vida para manter o corpo funcionando, mas é alimento para a alma, essa psique desvairada que aprecia a delicadeza de uma taça de um vinho que poderia ser bebido num copo do extrato de tomate Cica.
Enfim, homenagear o Clube Literário de Gravataí, nos seus 28 anos, é homenagear pessoas teimosas. Afinal, o que é uma instituição se não um conjunto de pessoas unidas com o mesmo propósito, no caso produzir e divulgar a literatura? Portanto, não posso deixar de registrar o meu abraço a todos os seus membros e simpatizantes nas figuras do Claudio Wurlitzer, da Maria Izabel Moreira, da Rosani Freitas, do Círio de Melo e tantos outros escritores, poetas, declamadores que teimam em fazer da literatura um bálsamo para as almas tão atormentadas nesses dias conturbados, onde a arte nos traz uma luz de esperança à humanidade.
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