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A tua vida em minhas mãos
Só o teu amor não me é o bastante
Te queria minha, só minha
Como um objeto na estante
Ali ficarias sozinha
A tua vida estaria nas minhas mãos
Teu destino ao alcance dos meus dedos
Só por mim terias essa louca paixão
E eu seria o senhor dos teus medos
Quando me disseres “não”
e quiseres fazer valer a tua vontade
acho que perderei a razão
e acorrentarei a tua “liberdade”
E nesse dia, enlouquecido então,
Sem piedade, tal qual um endemoniado
cravarei meu punhal no teu coração
e meu inferno terei iniciado
Que triste vida sem ver a luz dos teus olhos
Arrastando-me pelo resto dos meus dias de dor
jogando o meu barco contra os abrolhos
Tal qual um louco navegador
São irmãs paridas no desamor
De uma miserável existência
Vivida dia a dia no rancor
“Se não és minha não serás de mais ninguém”
Grita o feminicída na sua cólera abominável
Porque trata a sua vida e a dos outros com desdém
Vendo o mundo de forma execrável
É fácil escrever sobre o amor e a flor
E ver a beleza no mundo com desvelo
Onde o feminicídio só traz pavor e dor
E nos enreda no seu tenebroso novelo
Nossas vidas não são pré-determinadas
Viver é rebelar-se contra o estabelecido na tradição
É fazer escolhas diante da amada namorada
É manter acessa a fogueira da paixão
Te quero viva, te quero amar
Não sou o teu dono,
Como pode alguém querer ser o dono do ar, do céu e do mar?
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"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância." Facebook: Nestor Ourique Medeiros Instagram: @nestormedeiros2 |

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