
Hoje, ao pintar meus cabelos brancos, lembrei de quando pintava os cabelos da minha mãe. Lembrei de quando ela dizia que não gostava daquela tiara branca. Me olhei no espelho e chorei. Hoje eu tenho uma tiara branca e também não gosto dela. Eu prometi a ela que não a deixaria nunca com os cabelos brancos. Eu não tinha noção de que colorir aqueles fios era tão importante. Não, não era só estética, era o nosso momento em uma daquelas tardes únicas.
Um dia, enquanto pintava os cabelos dela, ela me perguntou se eu tinha mágoas dela. Rapidamente disse que não, sem notar que ela me olhava pelo espelho. Sem dizer nada, ela baixou a cabeça. E seguimos. Logo minha irmã chegou, trocou meia dúzia de palavras e saiu. A vida seguiu seu curso. Logo os cabelos brancos voltaram, e eu voltei a pintá-los. E, dez dias antes da sua morte, os pintei novamente. Cabelos pretos, unhas vermelhas.
— Não me deixa morrer feia, Diovana.
— Vai começar a falar besteira, mãe?
Me chamo Diovana Rodrigues, tenho 42 anos e sou mãe de três filhos. Trabalho com segurança privada e escrevo desde a adolescência; a escrita sempre foi o meu refúgio.Sou autora dos livros Autópsia, Rosa Negra, Confrontando a Saudade e Diário de uma Amante (formato virtual), além de ter participado de diversas coletâneas literárias. Quando iniciei no clube literário, eu tinha um livreto chamado Janeiro sem Sol para divulgar os meus versos. Hoje, sou autora de muitas poesias — a maioria nascida como forma de desabafo. Uma delas, inclusive, deu origem ao meu livro virtual Diário de uma Amante, que tem seus contos eróticos divulgados todas as sextas-feiras pelo ColetiveArts. Como poetisa, já conquistei alguns concursos e homenagens, o que me traz imensa felicidade. Minha caminhada literária começou cedo e sigo escrevendo com amor. Sei que nada é fácil, mas também não é impossível. Este é um trabalho diferente, pois aqui quero eternizar as lembranças dos meus pais. Eles foram, e esteticamente continuam sendo, mais do que tudo para mim. Talvez eu escreva por eles, porque sempre fantasiei o mundo ao meu redor. Escrevo para homenageá-los, pois sei o quanto tinham orgulho de mim. É por isso que sigo lutando, buscando evoluir e crescer como pessoa: porque preciso honrar a memória deles.
"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."
08 ANOS DE VIDA DEDICADOS
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