DEVANEIOS EM ARTE

Filha da Máfia

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Hoje:
Capítulo XI - Final

Um longo mês de espera e apreensão pairou pela vida de Fred. Lyz decidiu escutá-lo, ouviu tudo que ele tinha a dizer e explicar. Sem emitir um som. Sem mostrar um sinal de que o perdoaria ou odiaria para sempre. A única coisa que podia ter certeza é que ela o queria por perto ainda, afinal, não contou sobre o relacionamento deles para a delegada responsável pela investigação, caso contrário, certamente Fred seria proibido de continuar na equipe.

Já seu Carlo teve um pouco mais de sorte. Sua neta o ouviu, fez muitas perguntas, pediu para que soubesse a verdade sobre a sua história. E foi atendida. Realmente o Nora era pai dela, mas quando colocou a vida dela em risco prometeu nunca mais aparecer. Já tinha feito estrago demais tendo envolvimento na morte de Maristela. Não diretamente, mas se eles não estivessem juntos naquele caro, rumo a uma de suas reuniões extraordinárias com os capangas, talvez a mãe de Lyz estivesse ali para abraçá-la e confortar tamanha tristeza. Um acidente provocado por rivais de Nora acabou com a vida de Maristela e por pouco não levou Lyz junto. Foi a gota d'água que faltava para Seu Carlo assumir sua neta e pedir proteção.

Lyz não sabia como processar tantas informações, tentando organizar inúmeras lembranças e situações em que realmente achava estranho. Se sentia vigiada. Super protegida. Só que não imaginava que estivesse num programa de proteção, era cinematográfico demais. Parecia aqueles enredos de filmes adolescentes que tanto adorava assistir e criticar. Com as conversas, sim mais de uma, com o seu avô, entendeu o papel difícil e tão importante que ele assumiu: cuidar, amar e zelar por ela. Sabia que somente alguém que a amasse tanto assim poderia guardar por tantos anos esse segredo.

Amar. Lyz sabia que não só o seu avô a amava tanto assim. Conhecia muitos casos famosos de pessoas que haviam precisado entrar nesses programas de proteção, e diferente dos enredos dos filmes, não se lembrava de casos românticos. Eram situações muito profissionais e rígidas. Longe do que viveu com Fred. Sabia que mentir era parte da sua missão. Não podia colocá-la em risco, expor a verdade seria condenar todo o programa. Mas saber de tudo isso não diminuía a dor do engano. A sua parte cética entendia, a parte emocional é que estava gritando dentro dela. Precisava dele. O amava. Portanto, precisava conhecer a sua história para poder dividi-la com alguém. Tendo certeza de que esse alguém era Fred.

- Detento Nora, você tem uma visita.

- Não tenho reunião com o meu advogado hoje, deve ser um engano.

- Eu não perguntei se você tem reunião com advogado. Você tem uma visita -fala o policial balançando as chaves em seus dedos. - Vai querer a visita ou não?

Lyz pensou muito sobre como seria esse momento. Enfrentar o passado que se fazia tão presente agora. Reorganizar dores que nem deveriam ter existido, e aprofundar outras que faziam muito mais sentido.

- O que está fazendo aqui, garota?

- -Procurando respostas, papai

- Não sabia o que esperar, imaginar ou temer daquele homem que deveria estar morto. Assim como, para ela sempre esteve.

- Você não deveria estar aqui. Nem deveria estar envolvida nisso tudo. - Nora fala de forma grosseira mas com um leve tom de arrependimento. - Eu prometi para o seu avô nunca procurar por vocês. Não tive escolha.

- Escolhas sempre temos, Nora. Só que cada escolha tem suas consequências. - Lyz não estava ali como a filha que queria conhecer o pai que achava estar morto, era a repórter que fazia a frente. - Quero saber como vim parar no centro dessa confusão e principalmente, como eu saio.

- Sair?! - Ele se encosta para trás na cadeira. - Você não tem de onde sair, querida. Eles acharam que indo atrás de você iriam me abalar. - um sorriso irônico surge em seus lábios.

- E não abalou? - lyz estava cada vez mais intrigada pela história.

- Eles fizeram exatamente o que eu queria. - Nora volta a se aproximar da mesa que os separa, projetando-se para frente apoiado em seus braços. - Eu estou onde tenho que estar. A central de comando é aqui, garota. Lá fora é muito perigoso. Daqui posso comandar tudo e todos. Sem risco de morrer. - Ele fixou bem nos olhos de Lyz e soltou - Só precisava de uma isca bobinha. Precisei arriscar minha promessa ao seu avô. Sabia que nada iria acontecer com você.

Só fui uma isca então. - Lyz não esboçava nenhum sentimento àquelas insinuações. - Devo lhe agradecer então, por ter desorganizado a minha vida para seus projetos criminalistas.

Fala bonito essa garota. - Ironia era a linguagem principal de seu pai, Lyz podia perceber. - pode ficar tranquila que a sua participação nessa história acaba aqui. - ele começa a se levantar.

Quem decide isso sou eu, Nora. - Lyz também fica em pé o enfrentando. - Sou uma herdeira, e quero a minha parte.

Você tá louca, garota. - ele ri. - Seu avô nunca vai te deixar se envolver nessa história. E… - ele se aproxima novamente - esse mundo do crime é muito perigoso, filhota.

Eu não tenho medo, papai. - ela o responde à altura. - tenho ambições. Você me colocou nessa história e agora quero minha parte. - Afinal, sou a filha da máfia. Este trono é meu.

Lyz sabia muito bem onde estava se metendo e não ia parar até conseguir os seus objetivos. Iria até o fim. Não se importava com o que pudesse acontecer. Aquela máfia iria saber quem era ela.

- E aí, conseguiu alguma coisa?

- Tudo gravado. - Lyz fala entrando no carro e ajeitando o cinto.

- Tem certeza que quer fazer isso, Lyz?

- Tenho.

- É perigoso.

- Não tenho medo.

- Seu avô concordou?

- Ele sabe que não pode me parar. Quando coloco algo na cabeça, ninguém tira.

- Sua teimosia é irritante, sabia?!

- Claro que sei. Mas você se apaixonou justamente por essa irritante teimosa. - fala encarando o motorista ao seu lado.

- Impossível não me apaixonar pela filha da máfia. - Ele se aproxima e a beija de forma carinhosa e urgente. - Não quero que se machuque.

-  Eu não vou me machucar. - Lyz fala ainda colada a ele. - Eu quero fazer isso. - Respira fundo e se afasta. - Vou até o fim para acabar com a Máfia. - Mirando a sua frente, Lyz continua. - Está comigo, Fred? - estende a mão esquerda para ele.

Sempre, minha linda. - Fred a toma beijando a mão estendida de forma cavalheira. - Ganhamos um reforço de ouro nessa equipe.

- Agora vamos parar com essa melação toda que temos muito trabalho pela frente, pessoal. - Se intromete Murilo entregando o celular com a rota atualizada no GPS à Fred.

- Deixa os pombinhos, Murilo. - Rebate Amir. - Isso tudo é frustração amorosa. Mas voltando a operação, recebemos mais pistas do paradeiro do gerente da Máfia.

- Bora equipe, temos uma máfia para destruir!

Fred dá partida no seu Onix preto, levando consigo sua dupla de policiais favoritos e sua amada, agora parceira de equipe. O que os 4 iriam enfrentar em suas investigações era um mistério. A única certeza que tinham era que precisavam fazer aquilo, juntos. Pela Lyz. Pelo Seu Carlo. Pela mãe de Lyz, Maristela. E claro, pela justiça. Uma dupla de policiais. Um policial apaixonado. E uma jornalista filha da máfia. 

O que a herança tinha a lhe oferecer?

Só as investigações poderão dizer!



Lisi Olsen

Lisi Olsen é uma pedagoga, profissional de letras, contadora de histórias, escritora, pesquisadora, ilustradora, bailarina, nerd e apaixonada por leituras, que usa da palavra e  do desenho para expressar os seus devaneios


Instagram: @lisianeolsen


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