Naigaron
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Capítulo I - Uma estranha no ninho
Parte 5
A garota fechou a porta da biblioteca atrás de si e procurou algo que pudesse iluminar o ambiente, pois as janelas estavam fechadas. Abri-las só sinalizaria onde estava e naquele momento não queria nenhuma companhia. Encontrou um instrumento parecido com a lamparina, apertou o botão e a luz iluminou tudo próximo a ela num raio de 200 metros. Perfeito! Caminhou pelo espaço encantada. O lugar era realmente mágico, com seu cheiro de livro e madeira antiga! Uma das coisas que Laura mais amava eram os livros, eram portadores de muitos segredos e desde pequena sempre teve a certeza de que eles a ajudariam a descobrir mundos novos. A biblioteca da Casa Principal era imensa, com aproximadamente 50 estantes repletas de muitos livros.
Bem no centro do espaço, ficava uma imensa mesa triangular, feita de madeira escura, no tom azulado. Se tivessem a trancado naquela sala desde o início, talvez ela nunca quisesse fugir. Lembrou-se que sua ausência por muito tempo poderia causar uma busca pela casa, então decidiu se apressar. Certamente ocupava o andar inteiro da casa.
Iniciou sua busca por algo, ainda não sabia bem de qual livro se tratava, mas procurou. Muitos livros falavam sobre a economia e gerenciamento de grupos. Encontrou alguns livros ensinando sobre cultivação de alimentos e criação de máquinas úteis para o lar. Mas nada daquilo lhe interessava. De repente teve a ideia de procurar livros históricos. Certamente poderia ler sobre a história de Naigaron e do Condado das Águas. Poderia entender melhor aquele povo e ter mais alguma informação que pudesse ajudá-la em sua fuga.
Enquanto procurava, ouviu o barulho da porta se abrindo e as luzes do teto se acendendo. Desligou a sua lamparina e se abaixou o mais rápido que podia no chão, para que ninguém a visse. Ouviu vozes conversando, porém não conseguia entender o que diziam. Estava com muito medo de ser descoberta, porém quando percebeu que ninguém a procurava, aproveitou para tentar escutar e reconhecer as pessoas.
Engatinhou entre as estantes, no lado em que não poderia ser vista pelas pessoas que se sentavam à mesa central, falando bem alto. À medida em que atravessava as estantes e espiava as pessoas, percebeu que se tratava de três membros do Conselho Geral de Naigaron. O medo voltou! Parou algumas estantes próximas ao grupo, longe o suficiente para não ser notada, mas perto o suficiente para ouvir e observá-los.
As três pessoas usavam longas capas verde musgo e capuzes que cobriam seus rostos. Reparou com muita atenção que um dos membros tinha uma cicatriz em seu rosto, descendo perto da boca, algumas mechas de cabelo avermelhadas caiam do capuz, alcançando-lhe o pescoço. Essas características eram uma pista, caso ele saísse da sua misteriosa capa algum dia. Além da cicatriz e cor de cabelo, o homem era o mais agitado do grupo.
- Estamos correndo perigo! - disse ele, em pé, enquanto os demais estavam sentados.
- Acalme-se, Oito! - sabemos o que estamos fazendo, disse um deles, sua voz indicava ser de um homem mais velho, com aproximadamente 60 anos.
- Eu não acho que fizemos o certo trazendo a Laura de volta para Naigaron. Não importa o que me digam, estamos colocando o planeta em perigo! Se nossos inimigos descobrirem que ela está de volta…
- Eles não conseguiriam chegar até aqui sem que soubéssemos! - a terceira pessoa, era mulher. Aparentava ser tão jovem quanto o homem da cicatriz, mas tinha mais calma e firmeza ao falar.
Laura se chocou ao ouvir seu nome, estavam discutindo por ela. Embora isso tivesse a assustado ainda mais, ficou mais curiosa ainda, porque estavam falando de coisas que ela não poderia ouvir. Talvez descobrisse mais pistas sobre seu passado.
- A Seis está certa, são muitas terras para se atravessar, com diversos perigos, até chegarem no Condado das Águas. Seriam descobertos e mortos. - acrescentou o membro mais velho. A jovem percebeu que se chamavam por números, deduziu que eram de acordo com a entrada no grupo. O rapaz de mechas vermelhas era o mais novo de todos, por se chamar de Oito.
- Precisamos de Laura e Eduardo aqui, para assumirem as posições planejadas. Hoje mesmo serão anunciados seus casamentos. - disse a mulher. O coração da Laura parou no mesmo instante. Casamento? Quem casará com quem?
- Isso mesmo, Hannat disse que Laura está aceitando a sua condição, portanto não irá se opor ao casamento com o filho do Dirigente do Condado dos Ventos. Com esse casamento, teremos mais domínio sobre os dois Condados. Eduardo já sabe que irá se casar com a irmã mais nova do noivo de Laura. Laura e Liuk serão dirigentes do Condado dos Ventos e Eduardo e Lira serão dirigentes do Contado das Águas. Isso nos fortalecerá na batalha contra os Nômades - disse o mais velho.
Laura pôs a mão na boca, para bloquear os soluços, enquanto suas lágrimas caíam copiosamente pelo rosto. Seu corpo pesou sobre o chão, perdendo todas as forças. Eduardo, Eduardo, Eduardo… finalmente dissera seu nome novamente. Ah, como o amava! Seu amor por ele era capaz de qualquer coisa, até de passar por cima das leis do universo. Um amor proibido enterrado em seu peito! Nunca morreu! Estava ali o tempo todo. Pensava em Eduardo desde o momento que levantava até os instantes antes do sono.
- Não tenho medo dos Nômades. Tenho medo do que pode acontecer com o Nono Condado, caso descubram que Laura está novamente no planeta… Eles não podem encontrá-la! Você sabe o que pode acontecer se a encontrarem!
Miriam Coelho |
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