O DIÁRIO DE UMA AMANTE

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HOJE:

O amor é um sentimento difícil de descrever, embora a gente tente.

Eu já amei, ja fui amada.

Conheço pessoas que amam, escrevo sobre o amor, leio sobre o amor.

Mas o amor mais intenso e verdadeiro que conheci escorre em minhas veias.

Hoje peço licença aos meus leitores para falar de um amor. Um amor  que venceu preconceitos, brigas, traições e pobreza. 

Peço licença hoje para contar a vocês em forma de homenagem, um pedacinho da história de meus pais.

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Dia 17 de fevereiro se completariam 61 anos da história de amor deles, minha mãe nunca esquecia. E em forma irônica dizia: "hoje faz tantos anos que aguento teu pai".

Essa era a forma dela dizer que estava comemorando mais um ano de casada.

Já  meu pai  lembrava a data levando sempre uma rosa recém colhida á ela. 

Nunca ouvi meu pai dizer o nome da minha mãe, sempre foi Nega. Da mesma forma nunca vi ela dar apelidos carinhosos para ele. 

Eles eram dois extremos,  minha mãe era o pulso firme da relação  a razão. Meu pai era o sentimento, a emoção. Juntos eles se completavam, como o dia e noite, o sol e a lua. 

Eles eram diferentes um do outro.

Qual era a probabilidade de um jovem Tropeiro vindo de Santa Maria, pobre, analfabeto e sem emprego se apaixonar por uma jovem negra de classe media que ja trabalhava e sonhava  lendo  a foto novelas?

Qual era a chance de dar certo, se minha vó paterna era racista? Se meu avô materno, era materialista?

Eles não tinham muita  chance, mas tinham amor.

Meus pais sofreram com preconceitos das duas famílias . E como o proibido é mais gostoso, eles se jogaram nessa aventura. 

Meu pai era um homem muito bonito e atraente, vivia rodeado de mulheres, sempre bebendo e arrumando briga em bares.

Minha mãe carregava o título da negra mais linda do bairro, vinda de uma das poucas famílias negras com dinheiro na época.

Bonita e inteligente por onde passava, deixava o rastro de seu salto Luis15 famoso na época. 

Meu pai tinha várias namoradinhas.

Como ele gostava de dizer,ele era putanheiro.

Minha mãe embora fosse de família, era também rodeada de pretendentes e já naquela época enganava alguns homens em troca de bala e doces para os irmãos. 

Meu pai sempre em bares, via minha mãe passar todos os dias.

Um dia ele seguiu as pegadas dela, ou como ele dizia os buracos que o salto fino fazia na terra solta.

Para ficar com minha mãe meu pai brigou com meu avô e os dois outros pretendentes dela . 

Ele lutou por ela, mas ele era só um boêmio, então a luta foi dela.

Lutou para ficar com ele, e para fazer dele um pai de família. 

17 de fevereiro de 1965 foi a data que eles fugiram para ficar juntos, depois de muitas brigas e até de um incêndio provocado por meu avô revoltado pela desonra.

Minha mãe fugiu com meu pai já grávida do meu irmão Fábio, saíram levando um colchão e um fogareiro. 

Assim começaram a vida. Ela com 16 anos  ele com 21. E tudo de ruim aconteceu com eles.

Meu pai demorou a ser o homem que minha mãe sonhava, e muitas foram as traições dele.

Bebidas e mulheres a vontade. Em casa minha mãe sofria passava fome e frio. Mas nem a fome e frio machucavam tanto quanto o racismo de minha vó que não aceitava uma nora negra e tão pouco os netos. 

Minha  mãe foi exemplo de luta, e brigou  por meu pai, o seu amor. E  transformou ele em um homem trabalhador. Ele trabalhava na olaria e ela como cozinheira, até um dia ganharem um pedaço de terra para construir uma casinha  

Ganharam esta terra simplesmente por serem trabalhadores. Assim a vida começou a mudar.

A melhorar.

Todo ano minha mãe tinha um bebê novo nos braços  e seguia linda e cobiçada.  Meu pai morria de ciúmes.  Brigava por ela, afinal a negra era linda.

Os anos passaram e mais apaixonados ficavam,mais problemas enfrentavam e mais amadureciam. 

Meu pai se tornou amigo do meu avô materno. Mas minha vó paterna nunca aceitou minha mãe. 

Quando eu nasci eles ja tinham 8 filhos, sendo 6 de barriga e dois gerados no coração como a mãe dizia.

Então eu cheguei, sendo a caçula a rapa do taço.

Meu pai seguia trabalhador, honesto, firme e apaixonado. 

Minha mãe linda, vaidosa, braba e apaixonada. 

Lembro que ela tinha um ritual para esperar meu pai. Ela arrumava a casa, fazia a janta, se perfumava toda, passava seu batom vermelho combinando com as unhas, e vestia uma camisola longa de seda, que ela chamava de camisão. 

Ele chegava segurando uma rosa vermelha tirava o chapéu e se trancavam no quarto. 

Eram sempre o mesmo ritual de amor.

Eles haviam vencido as dificuldades, tinham amadurecido juntos.

Eles se defendiam, eram cúmplices e amantes. Eram muito mais que casados. 

Minha mãe seguia braba, e meu pai seguia romântico. 

Piqueniques, passeios de charrete, cinema, mercado, hospital  tudo e todos os lugares era perfeito para eles. 

E o desejo, eles se desejavam muito. 

Os anos passaram e eles seguiram sonhando envelhecer juntos.

Nunca vi dois diferentes tão iguais.

Um dia vi minha mãe cantarolando a música "como é grande meu amor por você" para meu pai.

Nesse dia meu pai estava doente, e ela em desespero falou com Deus. Dizendo que estava com 58 anos e desde os 16 vivia com ele, ela disse a Deus que não viveria sem meu pai. 

Minha mãe pediu pra Deus levar ela e deixar o meu pai. Pois ele saberia viver sem ela, mas ela não viveria sem ele.

Acho que Deus disse amém a minha mãe daquele dia.

Duas semanas depois meu pai estava bem, e minha mãe falecia depois de 4 paradas cardíacas. Morreu chamando por meu pai.

Quando sai do hospital com meu pai, começou a tocar no antigo bar quiosque a música" como é grande meu amor por você". 

Meu pai sentou se no cordão ouvindo a música e a única palavra que saia de seus lábios era

Negra...

Meu pai seguiu sua viuvez  por 18 anos, mas em nem um dia deixou de falar nela 

Ele sonhava todas as noites, com o cheiro, com a voz ,com o amor e o sexo deles. 

18 anos ele passou relembrando cada história vivida, cada luta vencida, cada ciúmes sentido.

Meu pai partiu então, partiu falando em reencontro com a negra...

Quando cheguei em casa para pegar a pilcha para enterrar meu velho tropeiro, eu estava acabada, pois meu pai era meu melhor amigo, então tocou na rádio como é grande meu amor por você. 

"...Nunca se esqueça nenhum segundo que tenho o amor maior do mundo..."

Eles estavam juntos novamente. 

Imagino ela vindo buscar ele, com seu vestido florido  e seu sapato salto Luis 15, de batom vermelho  e ele correndo ao encontro dela com rosas vermelhas na mão... 

Parabéns meus amores pelo amor vivido.

Eu amo vocês, a morte é a apenas um detalhe entre nós.  

Eternamente João e Teresa.   

Este texto é uma simples homenagem de amor aos meus pais. 

Estou trabalhando na história de vida deles, escrevendo meu primeiro Romance, baseado nesse amor tão bonito que segue vivo em mim.




DIOVANA RODRIGUES

Me chamo Diovana, tenho 40 anos, me apaixonei pela poesia com 13 anos de idade, e desde então escrevo. A poesia se tornou uma psicóloga para mim, um diário de desabafo. Não consigo escrever sem meu coração mandar. Não sei simplesmente sentar e pensar no que vou escrever. Simplesmente escrevo, brinco, eu escrevo sem pensar. Sou mãe, tenho três filhos, Mithelli que está com 22 anos e os gêmeos de 13 anos. Parece meio óbvio dizer que são tudo que tenho, mas é isso. São meu tudo. Trabalho com segurança privada, minha especialização dentro da área veio depois de anos. É algo que gosto de fazer, assim como cozinhar. Sou uma mulher de gosto simples, porém, de opiniões fortes. Sigo minha vida de forma leve, aprendendo, caindo e levantando ancorada em minha fé. Sou umbandista com muito amor e só tenho a agradecer às minhas frenteiras. Elas me ensinaram que cair é inevitável mas ficar no chão é opcional. Essa sou eu, essa é Diovana Rodrigues.

"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."

COLETIVE ARTS, 07 ANOS DE VIDA,
SENDO A MAÇÃ DE ALGUNS,
O COLETIVE NÃO SE INTIMIDA,
O COLETIVE CRIA!


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2 Comentários

  1. Didia, sou a Isab. Parabéns pelos teus pais. Nascer de um amor é maravilhoso. E isso reflete na tua personalidade. Bjuuuuu

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  2. Parabéns pelo teu comovente texto.! - Nestor

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