O DIÁRIO DE UMA AMANTE

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HOJE:

Uma mulher deve ser uma dama para a sociedade e uma meretriz na cama!

Cresci ouvindo minha mãe falar isso.

Mas de fato demorei a saber o que era uma meretriz.

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Hoje peço licença para falar um pouquinho sobre minha mãe. Pois embora tenha convivido apenas 21 anos com ela, ela me ensinou muito.

Quando perdi minha virgindade, ganhei um abraço dos meus pais. Nunca tive vergonha de conversar com eles sobre tudo. E em minha ingenuidade desejava ter uma vida sexual boa, como via que a deles era.

Minha mãe tinha uma rotina diária, quando chegava ao fim de tarde ela rearrumava o quarto, se arrumava para meu pai, usando sempre um batom vermelho, unhas vermelhas e pó de arroz, como ela dizia. Sempre bem perfumada e com os cabelos alisados com um antigo alisante chamado Enê comum entre as mulheres negras. Meu pai chegava, tomava banho e em seguida ia para o quarto lá eles se fechavam por um tempo. 

E eu ficava curiosa, procurando saber o que estava acontecendo.

Nunca vi nada. Embora vivesse tentando espiar os dois (coisas de criança). Quando eles saiam do quarto, ela logo ia para o banho, na época banho gelado de bacia. Depois do banho ela começava a fazer a janta, e ele fazia chimarrão.

Meu pai servia um copo de vinho para ele, e um copo de vermute para ela. Enquanto ela cozinhava, contava sobre o dia dele pra ela. Logo ela contava sobre o dia dela.

Meu pai quando queria comprar ou fazer algo sempre esperava a opinião dela, e se ela falasse não, era não!

Eles eram como fogo e gelo. Eram muito diferentes um do outro. Mas se completavam. Cresci vendo os dois lutando, sempre trabalhando e se amando.

Se hoje amo tanto rosas é por causa deles, pois meu pai dava rosas vermelhas para ela quase todos os dias.

Minha mãe quando saia comigo chamava atenção dos homens, eu não entendia bem, mas meu pai sempre me pedia para contar se algum homem ficasse conversando muito com ela.

Meu pai era ciumento e dizia que minha mãe era linda.

De fato, ela era!!

Quando Cresci e comecei entender sobre sexo, ela dizia que uma mulher tinha que fazer de tudo na cama. Ela dizia que se era bom, tinha que fazer. Quando tive minha primeira vez não gostei, não era como minha mãe falava. Não tive prazer!

Eu tentei fazer diferente, mas para meu ex-marido, mulher boa seria uma mulher calada, fria que apenas aceitasse tudo que ele fosse fazer.

Um sexo ruim, doloroso.

Lembro-me do dia que fingi estar passando mal apenas para não ter que transar com ele. E ele chamou minha mãe. Naquela noite ela falou sobre carícias, desejo e sexo oral e anal. Falou do quanto era bom receber sexo oral, disse que também era bom fazer.

Mas seria bom de verdade se eu sentisse prazer em fazer sexo oral. Ela me disse que não era nojento e também não era sujo. Foi uma conversa delicada, explícita, mas cheia de cuidados.

Então entendi porque ela esperava meu pai toda arrumada. Ela me disse que eles faziam sexo todos os dias E que isso fazia bem para eles.

De manhã eles faziam para ter um bom dia, pois gozar relaxava o corpo. E a noite era para finalizar e dormir bem. A noite era sempre mais demorado e selvagem (Não foi à toa que os dois tiveram 9 filhos).

Minha mãe teve uma vida sexual muito ativa, e vivia falando que uma mulher tinha que ser uma dama para sociedade e uma meretriz na cama.

Uma vez depois do meu ex-marido ter ido a uma boate transar com prostitutas, perguntei para minha mãe se ela achava que era minha culpa. Ela sorriu e disse que homem não prestava que mesmo quando tinham muito sexo em casa, iriam procurar fora. Então ela me disse que sempre deu prazer a meu pai e que mesmo fazendo de tudo e todos os dias, mesmo ela trabalhando dia a dia ajudando, ele tinha interesse em outras.

Ela me olhou e completou falando de três senhores moradores do nosso bairro, homens que dariam tudo para ficar com ela. Dizendo que ela não tinha interesse porque amava muito meu pai.

Mas sempre que possível ela fazia sim ciúmes no meu pai, para ele ter medo de perder. E sempre que brigavam ela falava sobre esses senhores para meu pai ver que se ela quisesse ela teria qualquer homem. E que ela não fazia por amor, pois o sexo com ele bastava. Ela ainda me olhando disse. Eu não fiz, mas tu não és igual a mim nem ele é igual teu pai. Teu casamento foi um erro. Tu está se sentindo presa, mas agora tu és mãe.  É feio criar filho separada. Mas se não tiver jeito, estamos aqui.

Aquela frase foi brutal pra mim.

Mas eu entendi que ela foi criada com essa informação.

Minha mãe faleceu com 58 anos com uma vida sexual ativa e prazerosa. Quando ela não tinha vontade e meu pai sim, ela dizia para ele que o corpo dela não era escarradeira para ele gozar e ela não. Se ela não queria não tinha sexo.

Depois da morte da minha mãe, meu pai perdeu o brilho foram 44 anos de união. Meu pai sonhava com ela todos os dias, e quando sonhava que tinham transado ele caminhava até a antiga roseira e conversava com as flores. Colhia uma e deixava dentro do quarto deles.  Naquela época não existia celular, e meu pai nem sabia ler, mas eles se comunicavam com o olhar, se entendiam, se completavam.

Não era um casamento perfeito, mas lutavam pra ser.

Eles se respeitavam muito.

Sempre achei que minha mãe amasse menos ele, pois ela era braba demais e ele amoroso demais. Mas um mês antes da morte dela, meu pai estava muito doente.  E ela chorando em minha frente disse que faria um acordo com Deus. Deus teria que levar ela, e salvar ele. Pois ele viveria bem sem ela, mas ela morreria sem ele. Disse isso e completou dizendo que fugiu aos 16 anos para ser eternamente dele.

Bom, Deus aceitou e a levou.

As últimas palavras de minha mãe segundo o médico foram: João Pedro!

Então mulheres que possamos ser damas na sociedade e meretriz na cama.

Que sejamos livres, que sabíamos procurar nosso prazer, nosso desejo.

Que não tenhamos amarras no sexo.

Hoje se viva minha mãe teria 78 anos.

A saudade é diária, e saibam essa capa do meu livro do Diário é uma homenagem a minha mãe pois ela adorava me fotografar e me pediu para que eu colocasse uma foto minha em um dos meus livros.

Minha mãe me pediu para enterrar ela com a roupa do lançamento do meu livro Autópsia.

Ela tinha orgulho de dizer que eu era escritora.

Acho que ela segue orgulhosa.

Eu sigo aqui escrevendo para vocês e amando meus pais.

Eternamente João e Teresa!



DIOVANA RODRIGUES

Me chamo Diovana, tenho 40 anos, me apaixonei pela poesia com 13 anos de idade, e desde então escrevo. A poesia se tornou uma psicóloga para mim, um diário de desabafo. Não consigo escrever sem meu coração mandar. Não sei simplesmente sentar e pensar no que vou escrever. Simplesmente escrevo, brinco, eu escrevo sem pensar. Sou mãe, tenho três filhos, Mithelli que está com 22 anos e os gêmeos de 13 anos. Parece meio óbvio dizer que são tudo que tenho, mas é isso. São meu tudo. Trabalho com segurança privada, minha especialização dentro da área veio depois de anos. É algo que gosto de fazer, assim como cozinhar. Sou uma mulher de gosto simples, porém, de opiniões fortes. Sigo minha vida de forma leve, aprendendo, caindo e levantando ancorada em minha fé. Sou umbandista com muito amor e só tenho a agradecer às minhas frenteiras. Elas me ensinaram que cair é inevitável mas ficar no chão é opcional. Essa sou eu, essa é Diovana Rodrigues.

"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."

COLETIVE ARTS, 07 ANOS DE VIDA,
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