O DIÁRIO DE UMA AMANTE

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HOJE:

Eu não entro em competição com ninguém.

Não desejo ser ninguém, e ninguém pode ser igual a mim!

Isto é simples, mas como as pessoas gostam de competir entre si.

Principalmente mulheres!

Quão difícil é aceitar que todos nós somos especiais de alguma forma e falhos de outra?

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A Amante nunca competiu com ninguém, sempre foi auto suficiente.  Ciente de quem era, sabia que era bonita e inteligente, conhecia o mundo e as pessoas.

Ao longo dos anos conheceu o bem e o mal.

E dentro dela habitava esses dois sentimentos em igualdade.

Ela não era mulher de competição, mas nunca aceitava provocação.

Sempre com olhar firme e falas certas mantinha suas opiniões.

E quando conseguia se calar, o olhar entregava.

Mas nem toda provocação é ruim, e certo dia um jovem menino que ela já tivera um romance resolveu provoca-la.

Em uma ligação ele disse assim:

- Sonhei contigo, sonhei que eu estava em um bar e tu chegastes toda linda com um sobretudo rosa, e botas de cano longo. No sonho tu chegou e me beijou dizendo estar sem nada por baixo.

Ela ouviu aquilo e sorriu, dizendo: “sonhos, são sonhos vida”.

E desligou.

Ela sabia que naquela semana ele comemoraria seu aniversário de 27 anos em um bar qualquer da parada 79 de Gravataí como de costume, sendo assim planejou sua chegada.

Naquele dia retocou a raiz deixando seus cabelos ainda mais negros e sedosos, se perfumou se maquiou como de costume com sombras negras e batom carmim.

Vestiu um fio dental preto, um sutiã de renda o sobre tudo rosa e as botas cano longo de salto. O espelho já revelava a maldade e também o desejo.

Ninguém mandou ele provocar.

Naquela noite o bom menino estaria com sua família, sua mãe da mesma idade da amante, sua noiva evangélica que fingia ser virgem e todos os irmãos de culto.

Todos em pecado, comemorando um aniversário em um bar.

Mas que loucura deliciosa.

A Amante e a mãe do menino já haviam se desentendido porque aquele menino era apaixonado pela coroa sem vergonha que poderia ser mãe dele.

Seria uma noite para celebrar.

Ela terminou de se arrumar e saiu.

Chegando lá, contemplou de longe a mesa cheia de pessoas, sem bebidas, todos rindo e brincando. E a mãe do rapaz falando sobre noiva.

Noiva que a Amante conhecia bem, e sabia que não era nada do que do pensavam. Mas isso não era problema dela

Quando ela chegou e começou a subir os degraus logo o rapaz a viu, e ficou a olhando e sorrindo.

Ele estava incrédulo, ela fora realizar seu sonho.

A mãe de pronto ficou braba, mas disfarçou.

Todos a olharam ali.

Todos sentiram seu perfume doce, e focaram no seu andar firme e direto até a mesa do rapaz.

Em nenhum momento ela desviou o olhar dele, e quando chegou em sua frente o pegou pelas mãos para ele levantar e assim ela o abraçar.

Ela deu um abraço longo nele e sorriu.

Ele sem jeito perguntou “e meu presente?”

Ela o olhou maliciosamente e respondeu.

- Teu presente sou eu!!

Nisso o pastor se meteu, se ofendeu.

Mas ela também conhecia o pastor.

Para ele, ela estendeu a mão e cumprimentou perguntando.

- Como vão suas ovelhas bom pastor? Elas ainda lhe mandam fotos sem lã? Ops: assunto proibido!

Disse isso e deu uma risada.

Enquanto todos ficaram em silêncio perplexos ela pediu uma cerveja e acendeu um cigarro.

Pura provocação!

As mulheres a olhavam com inveja e raiva. Os homens com cobiça, desejo.

Mas em público a condenavam como pecadora. A Amante se sentou com eles, elogiou a noiva do menino.

E disse para a jovem:

- Que só se é jovem uma vez, que ela deveria viver seus sonhos, viver seus medos e histórias. Sem medo do que as pessoas falariam. Afinal estamos aqui sem saber quem está certo ou quem está errado.

A jovem sorriu entendendo que estava se prendendo a uma vida que não era sua.

Tirou a aliança pediu desculpas e saiu na garupa de um moto boy do bar com quem que ela já ficava.

A mãe do rapaz ficou furiosa.

Mas a Amante não deu bola.

Se levantou e convidou o rapaz para sair dali.

Ele olhou para mãe e para a Amante sem saber o que fazer.

A amante então tocou a mão da mãe dizendo

Deixa esse menino viver.

Logo puxou o rapaz e o tirou do bar.

O levou para rua lateral próxima ao cemitério e abriu o casaco, mostrando a ele como estava.

Ele tremia de medo da mãe, do cemitério, mas principalmente daquele corpo que ele ja tinha se perdido.

Mas com todo medo ele foi.

Tirou aquele casaco com força e beijou seus peitos rasgando a renda do sutiã, colocou o fio dental de lado para penetra- lá.

Na penumbra da noite, no muro do cemitério seminua, de botas de cano longo e salto alto ela realizou o sonho do rapaz.

Entre tapas, mordidas, e lambidas ele gozou a vida comemorando seu aniversário com quem ele mais desejava.

Depois acabaram em um motel, champanhe e banheira.

Sexo oral, anal e todo tesão possível.

Quando o dia amanheceu, ela se despediu mais uma vez.

Ele ja a acontecia, sabia que não adiantava pedir para ela ficar.

Assim ela se foi.

E ele ficou com seu sonho realizado.


DIOVANA RODRIGUES

Me chamo Diovana, tenho 40 anos, me apaixonei pela poesia com 13 anos de idade, e desde então escrevo. A poesia se tornou uma psicóloga para mim, um diário de desabafo. Não consigo escrever sem meu coração mandar. Não sei simplesmente sentar e pensar no que vou escrever. Simplesmente escrevo, brinco, eu escrevo sem pensar. Sou mãe, tenho três filhos, Mithelli que está com 22 anos e os gêmeos de 13 anos. Parece meio óbvio dizer que são tudo que tenho, mas é isso. São meu tudo. Trabalho com segurança privada, minha especialização dentro da área veio depois de anos. É algo que gosto de fazer, assim como cozinhar. Sou uma mulher de gosto simples, porém, de opiniões fortes. Sigo minha vida de forma leve, aprendendo, caindo e levantando ancorada em minha fé. Sou umbandista com muito amor e só tenho a agradecer às minhas frenteiras. Elas me ensinaram que cair é inevitável mas ficar no chão é opcional. Essa sou eu, essa é Diovana Rodrigues.

"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."

COLETIVE ARTS, DIA 21/05 COMPLETAMOS
08 ANOS DE VIDA DEDICADOS 
À ARTE E CULTURA!


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