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HOJE:
É
maio outra vez, depois que crescemos os dias meses e anos passam mais
rápido. Bobagem é apenas impressão
nossa.
Vivemos
com pressa.
Esperamos
ansiosos pela noite, pelo amanhecer, pelo final do mês sem perceber que estamos
acelerando o tempo.
Parece
que foi ontem que adormeci nos braços do meu pai, ouvindo minha mãe contar uma
história de ninar. E acordei ouvindo ela dizer:
-
Acorda menina teu pai não tem navio no mar!
(minha mãe era cheia de ditados populares)
Me
olhando na porta do quarto meu pai me abraçou, cinco anos já minha mocinha, ele
falou!
Juntos
naquela porta os dois sorriam. Esperando minha vó e minha madrinha que logo
chegariam. Afinal era meu aniversário.
Não
foi ontem.
Foi
a 37 anos atrás.
É
maio outra vez, é meu aniversário.
Já
não tenho minha vó, nem madrinha e tão pouco meus pais.
Daquela
menina restou a imaginação.
E
nesses 42 anos já mudei muito, e continuo mudando, buscando evolução.
Ainda
erro feio, ainda sou muito braba. Mas já não sou mais vingativa e explosiva.
Já
não tenho a beleza dos meus 20 anos, agora é diferente. Não sou mais tímida, mas meu olhar ainda fala
mais que meus lábios.
Deixei
pra trás as bonecas, mas ainda assisto os filmes da Barbie.
Mudei
e sigo mudando, e tenho muitos medos.
Hoje
entendo minha mãe mais que antes.
Não
tenho medo de morrer, a morte já andou ao meu lado.
Mas
tenho medo de perder meus filhos. E meus filhos também são flores de maio como
sempre desejei. E tive os três como sempre disse que teria.
Abri
mão de alguns sonhos por eles, mas não me arrependo.
Dizem
que sou forte, guerreira, mas eu nunca quis ser.A vida me obrigou. Então virei
essa mulher. Essa força abstrata.
Essa
muralha de algodão que ainda sonha ser cuidada, amada.
Hoje
ja não escondo a poesia, e diferente da minha adolescência onde eu tinha medo
de mostrar meus versos.
Hoje
me orgulho deles, a poesia é o meu eu.
Fui
criança mimada, criada na ilusão do para sempre.
Meu
para sempre não era ter tudo, nunca foi material.
Era
sempre ter meus pais.
Mas
a vida não é um conto de fadas.
E
eles se foram. E foram cedo demais.
Com
tudo agradeço porque sou feliz tenho amizades sinceras, filhos bons, saúde pra
trabalhar.
Embora
meu aneurisma tenha me dado sustos afetando a memória e trazendo medos. Estou bem. Seguindo minha fé, meu axé,
abençoada pelos meus guias.
Mas
no amor sigo sozinha, não se pode ter tudo.
Sou
romântica demais para baixar meu escudo.
Vivemos
em um tempo, onde é feio amar.
Mas
está tudo certo!
Afinal
hoje sou tudo aquilo que já fui, e ainda serei.
Hoje
sou a Amante, a autora, algumas vezes a personagem.
Tudo
que não posso, ela pode.
O
que eu calo, ela grita!
Livre
como nunca fui.
Escrever
este Diário é diferente de fazer poesia.
Quem
diria que aquela menina de cabelos longos e sonhos rasos seria essa mulher
hoje.
Hoje
quero tão pouco do mundo, mas nunca quis muito.
Hoje
chegar ao fim dia com sensação de vitória, por estar viva, por ter meus filhos
é a maior riqueza.
Não
me limito a nada, sei que posso sonhar e realizar, basta acreditar.
Não
espero mais 40 anos, mas espero seguir com o coração que tenho hoje até o dia
de retornar.
Não
sou melhor, nem pior que ninguém.
Não
sou forte, não sou guerreira. Aliás sou muito sentimental, chorona.
Amo
amar, embora o amor esteja fora de moda.
Hoje
encerro esse texto sem conto erótico, sem histórias excitantes.
Encerro
o texto entrando em novo ciclo de vida.
Não
como mãe ou filha, amiga, não como poetisa e também não como a Amante.
Entro
como aquela menina de cinco anos entrava em seu quarto sempre imaginando um
castelo de sonhos realizados.
O
que perdi ficou no passado. Assim como as mágoas, erros e falhas.
Que
venha este novo ano.
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| DIOVANA RODRIGUES |



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