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HOJE:
Cansada
da vida corrida da cidade a amante resolveu tirar férias no interior do estado,
onde sua família tinha terras em um sitiozinho antigo em Santa Cruz.
A
ideia dela era descansar em meio a natureza e se afastar dos problemas.
Quando
chegou a cidade de Santa Cruz viu que a cidade já não era uma cidadezinha do
Interior.
Viu
também que as terras de sua família estavam abandonadas.E que para ficar alguns
dias naquela casa do sítio teria que limpar e fazer uma reforma básica e
ligeira.
Daria
trabalho, mas em três dias tudo estaria certo.
Apesar
da impressão de abandono o lugar ainda era lindo, cheio de árvores, um riacho e
muitas flores e plantações.
A casa mais parecia uma grande tapera velha e
da varanda de madeira dava para amante ver os antigos campos de plantação de
fumo da sua família.
Ali
com uma xícara de leite nas mãos ela ficava a imaginar a vida dos seus avós.
E
principalmente da sua bisavó. Mulher negra escravizada, usada, abusada,
estuprada pelos brancos que ali moravam. Negra de beleza incomum que fez seu
dono e patrão se apaixonar e fazer dela sua amante, a única mulher capaz de lhe
dar um herdeiro.
Os
pensamentos eram muitos.
Um
misto de alegria com raiva, mas a cima de tudo orgulho.
Orgulho
da história.
Depois
de três dias ja com tudo em ordem, a Amante estava se preparando para sair e caminhar pelos campos.
Quando
apareceu uma mulher.
A
mulher mais ou menos da mesma idade da amante, era uma vizinha, do sitio mais
próximo, que morava sozinha com seu marido que vivia viajando.
E
por isso ela se sentia muito só
Quando
soube que a Amante estava no sítio da família, foi se apresentar e a convidou para um chá.
Quando
foram se apresentar as diferenças eram muitas, apesar da mesma idade.
A
vizinha era uma mulher sem vaidade, roupas largas, unhas ruídas e cabelos
sempre em um coque.
Já
a Amante exalava perfume, cabelos sempre alinhados, unhas vermelhas e roupas
marcantes.
A
vizinha muito querida, simpática.
A
Amante desconfiada, sorrisos discretos.
Eram
como água e vinho. Mas se deram bem.
A
Amante foi até a casa da vizinha para tomar um chá, depois um café e logo já
estavam almoçando juntas.
A
companhia da amante fazia bem a vizinha. E a vizinha por costume de interior
chamava a Amante de comadre.
A
vizinha falava muito de seu marido, que estava sempre viajando.
Eles
não tinham filhos e a casa era muito grande.
Grande
e bagunçada, assim como tudo ali.
A
vizinha não era apenas desleixada com o corpo, mas também não gostava de
arrumar a casa.
Mas
para a amante isso era irrelevante, pois as conversas eram muito boas e ela era
uma mulher simples e querida.
Os
dias foram passando e uma certa noite a vizinha chegou ofegante chamando a
amante.
-
Comadre, comadre, vem jantar comigo, meu esposo voltou. Falei de ti pra ele.
Ok,
a Amante sorriu dizendo vou fechar a casa e jaz vou. Uns 30 minutos chego lá.
A
vizinha ficou muito feliz.
Voltou
para casa para terminar seu arroz de carreteiro, enquanto contava ao marido
sobre a Amante.
-
Ela é uma das herdeiras dos Cruz, moça bonita parece capa de revista. Vive arrumada e tem cheiro de jardim na
primavera.
O
marido sem muito interesse respondeu:
-
Tu tens que sair mais daqui.
Vive
aqui trancada no teu mundo, sem sair passear, não estudou, se trancou aqui e se
acomodou na bagunça, pra não falar sujeira. Agora fica impressionada com as
vizinhas.
Aquilo
chateou ela, mas ela não se importava. Seu sonho era casar, ter um lar. E só.
Já
seu marido era ambicioso, viajado, inteligente. Vivia traindo-a. Mas sempre
voltava pois também gostava de ter seu lar. Pagava mulheres na rua, pois não
gostava da mulher que tinha. Pois ele a via, apenas como esposa do lar.
Quando
a Amante bateu palmas no portão, a vizinha gritou:
-
Entra comadre.
E
pairou um silêncio no campo, que foi cortado aos poucos pelo barulho do salto
da amante.
Quando
ela entrou, vestindo calças e jaqueta jeans, bota de bico fino, cabelo bem
arrumado da cor da noite e batom carmim o marido da vizinha se levantou, parou
na frente da amante, admirando, sentindo seu perfume.
Foi
quando a vizinha falou:
-
Viu ela tem cheiro de jardim na primavera.
A
Amante sorriu brincando com a vizinha:
-
Meu perfume é um misto de rosa vermelha, com a Dama da noite.
A
vizinha então apresentou os dois, e logo foram jantar
Entraram
madrugada a dentro conversando tomando vinho.
O
marido então acabou dormindo no sofá.
E
a vizinha contou suas intimidades a Amante. Disse que era fria, que não gostava
de sexo, disse que fazia por obrigação. E que quando soube que não poderia ser
mãe, passou a gostar menos ainda.
A
Amante lamentou, pois sexo para ela era vida, contou que não ficava sem sexo, que
quando estava sozinha, se masturbava.
A
vizinha curiosa perguntou como, perguntou se doía, e como ela tinha tanta
vontade.
A
Amante então disse que sentia o corpo queimar, disse que ficava estressada e braba
sem sexo.
Contou
que tinha vibradores e os usava sempre. que tocava seu clitóris no banho e
antes de dormir. e que parava nua em frente ao espelho, tocando os seios e se
tocando.
Disse
que gozava sozinha. Mas que precisava sentir um pênis dentro dela. que gostava
de sentir entrando e saindo, tocando seu colo.
Disse
a vizinha que usava os vibradores, mas não se comparava a um pênis. E que não
precisava ser grande, apenas grosso.
A
vizinha ficou apavorada. E curiosa perguntou mais.
E
a Amante contou, que as vezes acordava de madrugada e se tocava. E gozava
usando o chuveirinho.
Contou
que já tivera transado em vários lugares. Então a vizinha perguntou sobre sexo oral.
Pois ela nunca foi chupada.
Então
a amante contou como era.
-
Não é todo homem que sabe fazer. Cada mulher tem um segredo. O meu por exemplo
é que meu clitóris é pequeno e sou frágil, então tem que passar a língua
devagarinho somente no meu clitóris, tem que lambuzar bem. E quando ele
endurecer tem que passar a língua com força sem parar, até o momento que eu
pegar o homem pelo cabelo e esfregar na minha vagina, vou estar gozando.
-
Ali ele tem que estar com o pau bem duro e me socar com força. Me chamar de
puta e me comer com vontade. É assim que eu gosto.
A
vizinha estava apavorada. E o marido que fingia dormir, escutava tudo de pau
duro.
A
Amante continuava a falar.
E
ele ouvindo tudo, se gozou sem se tocar só imaginando tudo que ouvia.
Por
fim a Amante disse a vizinha que ela deveria procurar ajuda médica, que não era
normal nunca ter vontade.
A
Amante não sabia que a vizinha havia tido doenças no útero e foi isso que a
deixou fria.
Muitas
mulheres passam por isso, perdem a vontade e fingem para não perderem os
maridos.
Fazem
pouco sexo, evitam por não ter vontade, por ser ruim. Mas isso tem tratamento.
Depois
da conversa a Amante foi pra casa.
E
no outro dia, almoçou novamente com a vizinha. E o marido não tirava os olhos
dela.
Então
ela foi ao rio tomar banho e quando saiu do rio deitou nas pedras.
Ela
estava de biquíni, com os olhos fechados quando sentiu o peso do corpo do
marido da vizinha sobre o corpo dela.
Era
o marido da vizinha, ela queria respeitar, mas a vontade de dias sem ter um pau
a latejar a fez aceitar.
E
ele era bonito, inteligente, cheiroso.
Ele
colocou seu biquíni de lado e a socou, com força.
Com
fome de sexo.
Abriu
o biquíni da amante e chupou seu clitóris exatamente como ela gostava.
E
claro ela gozou, e fez ele gozar em seu rosto.
Ali
nas pedras o branco do gozo dele mancharam o carmim de seu batom.
Depois
do ato, ela disse adeus.
Voltou
para o sítio se despediu da vizinha e voltou a Porto Alegre.
No
outro dia a vizinha ligou, dizendo que seu marido havia ido embora, abandonado
o lar. Pois estava apaixonado por outra.
A
vizinha chorava desesperada.
Horas
depois o homem apareceu com suas malas na casa da Amante. Dizendo que havia saído de casa e iria morar
com ela.
Sem
entender a Amante tentou conversar. Pois foi apenas uma transa, mas ele queria
um novo lar. Uma nova mulher submissa a lhe esperar. A aceitar traições por uma
casa. Por dinheiro.
Ele
falava sem parar da esposa.
-
Ela é fria, relaxada não me deu filhos. Tu és mais jovem, é mãe vai parir um
herdeiro pra mim, tua casa é limpa, sabes cuidar. Só falta me dizer se sabe
cozinhar.
Claro
a Amante respondeu e colocou uma água esquentar.
-
Vou fazer um café pra ti, quem sabe uns bolinhos de chuva ou uma nega maluca.
Sarcasmo,
mas ele não entendeu.
Então
a Amante perguntou se poderia ver suas roupas e ele abriu as malas.
Então
ela sorriu olhando pra ele, mostrando a água que fervia dizendo também estou
fervendo.
Me
come!
Ele
tirou a roupa ficou nu
E
a Amante se tocou diante dele, se masturbou e ele muito excitado tentou tocar nela,
mas ela não deixou.
Abriu
a porta tocou suas roupas para fora pegou a chaleira com água quente e ameaçou
tocar nele, se ele não saísse da casa dela.
Ele
gritou:
-
Louca!!
Ela
riu!!
-
Louca, maluca eu estaria de abrir minha casa para um machista, traidor, filha
puta morar. Eu trabalho, me sustento. Não preciso de homem nem pra gozar. Sou
feita de desejos e agora meu desejo e te matar. Volta, volta pra comadre pois
infelizmente mulheres como ela, precisam de trastes como tu. Lamento, pois, por
mim toda mulher deveria ser livre. Sem arramas dessa sociedade machista que
pensa que pode tudo. Meu corpo eu uso, não sou usada. Prazer tem que ser mútuo.
Sem dores, com respeito. Agora sai. Volta e pede perdão a ela. Come ela como tu
me comeu nas pedras. E nunca mais volte aqui.
Ele
foi, e nunca mais voltou.
A
Amante deu risada.
E
quando ela volta a Santa Cruz evita a comadre coitada, que vive feliz pois o
marido voltou.
Vive
feliz sem desejo, sem sexo, sendo traída. Mas casada!
A
Amante vive, apenas vive.
Ela
vive, porquê tem gente demais apenas existindo!!
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| DIOVANA RODRIGUES |



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