O DIÁRIO DE UMA AMANTE

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HOJE:

 Delírios de um corpo quente no inverno

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A Amante era amante de muitas coisas, e uma delas era o inverno. Ela adorava a estação mais fria do ano. Para ela, era uma época charmosa, cheia de encantos, onde se come e se veste melhor.
Não, ela não era hipócrita. Tinha consciência de que as pessoas em situação de rua sofriam muito no inverno, e que muitas até morriam de hipotermia. Como mulher trabalhadora, sabia que era ruim acordar cedo no frio. E sabia também que ser solteira no inverno era complicado. Ela era bem consciente sobre os contras da estação. Mas, ainda assim, a adorava.
Acordar cedo, pisar na geada e sentir a ponta do nariz congelar a fazia voltar no tempo. Quando era criança, brincava com seu pai nas geadas dos campos e dizia toda dengosa:

— Olha, pai, meu nariz congelou!
Ela sorria feliz, com o dedo sobre a ponta do nariz, e ele brincava dizendo que ela era a florzinha do inverno. Mesmo sem o pai, às vezes, quando o frio está demais, ela pisa na geada, põe o dedo na ponta do nariz e sorri — um sorriso com uma lágrima de saudade presa no olhar...
E falando em frio, hoje vou levar vocês a Bento Gonçalves/RS, para a Fenavinho.
A Amante estava se sentindo muito só neste inverno; tudo estava diferente. Diferente porque ela vivera uma paixão que lhe fez mal. Sim, a Amante também sofria por amar. Afinal, ela era toda feita de desejos e ousadias, e ser ela mesma espantava os homens. Às vezes, eles preferem se enganar com uma falsa santa do que viver uma história com mulheres como ela. A verdade dá medo e é única. Já a mentira tem muitas fases e engana.
Cansada, a Amante resolveu ir a Bento Gonçalves sozinha. A ideia era curtir o frio, tomar um bom vinho e passear. Como seria apenas um dia, usou um aplicativo de viagens para ir até a Serra. Quando chegou à cidade, foi direto para a feira. Estava tudo lindo, encantador. Apesar do frio, o local estava lotado. Havia gaúchos de várias cidades, pessoas de outros estados e muitos argentinos e uruguaios.
A Amante resolveu degustar os vinhos e logo foi observada por um argentino que, sem noção, fez uma brincadeira sem graça falando de futebol. Ela o olhou, ignorou e saiu de perto. Continuou a passear pela feira, andando como se o frio não estivesse cortante. De saia curta e botas longas, exibia um decote enorme que salientava seus seios. Vez ou outra, arrumava o cachecol branco em volta dos longos cabelos negros.
Logo parou novamente, sentou-se para comer algo e ficou observando as pessoas. Foi quando viu um homem alto, já grisalho, sorrindo. Um sorriso lindo, encantador. Ela parou e o olhou fixamente. Seus olhos percorreram o corpo dele dos pés à cabeça. Ele era elegante, charmoso, vestia um terno preto e tinha um ar misterioso.
A Amante ficou observando aquele homem, pediu um vinho e continuou atenta ao redor. Ele estava acompanhado por uma bela mulher e duas crianças. O homem ajudava a mãe a cuidar das meninas com muito zelo. Quando elas cansaram e dormiram, ele as colocou em um carrinho de bebê, e a Amante ficou observando o cuidado dele com as filhas. Com as meninas dormindo, ele se afastou da esposa, deu-lhe um beijo e saiu.
A Amante o seguiu com o olhar. Ele fora buscar duas taças de vinho e uma rosa para a esposa. Chegou por trás dela, que estava sentada, e lhe entregou a rosa. Depois, eles brindaram e se beijaram. De longe, a Amante sorria. Que cena linda!
Ela se levantou de onde estava e passou pelo casal sem olhar. Porém, a esposa chamou sua atenção, dando-lhe um sorriso e elogiando seu perfume. A amante não olhou para o marido; sentiu o olhar dele sobre seu decote, mas seguiu seu caminho. Já longe do casal, sentindo o vento no rosto, em meio a muitas vozes, risadas e música alta, ela parou, respirou fundo e sorriu pensando: "Deve ser bom ser amada". A liberdade tem seu preço.
Enquanto pensava ali sozinha, no meio da multidão, sentiu um aperto no braço. Era o homem. Ele tinha ido atrás dela. Era francês e falava pouco português. Apresentou-se e disse que a esposa havia levado as meninas para o hotel para ficarem com a babá. Ele propôs à amante irem tomar um vinho em um local mais reservado.
Foram a um chalé. Chegando lá, havia uma lareira, uma mesa com vinhos, queijos e chocolates, e a esposa sentada em frente ao fogo. A mulher também era francesa, porém falava um português um pouco melhor. Sem enrolação, disse à Amante que eles tinham gostado dela. Contou que, no dia anterior, ela havia escolhido um homem para ter relações com os dois e que, naquele momento, haviam escolhido a Amante.
A Amante respondeu que não tinha interesse em sexo com mulheres. O homem, então, todo carinhoso, disse que seria apenas com ele. Ela o olhou novamente, e dessa vez com um olhar quente, já o desejando — afinal, aquele sotaque ativava sua libido.
Ele puxou a Amante pela cintura e tirou devagarinho o cachecol dela. Colocou as duas mãos sobre seus seios, delirando ao ver que eram naturais. Tirou o paletó e, depois, o blazer da Amante. A esposa observava tudo em silêncio. Ele desceu as mãos até as nádegas dela, percorrendo todo o seu corpo e sentindo seu cheiro. Virou a Amante de costas, tirou sua saia e viu que ela usava uma calcinha fio dental com uma joia. Ele sorriu, segurando o bumbum dela, puxou o fio para o lado e lambeu seu ânus.
Depois, de frente, repetiu o gesto: passou a língua em sua vagina e disse para a esposa:

— Ela é doce e quente.
Ele começou a fazer sexo oral na amante. Ela estava em êxtase; pressionava a cabeça dele contra sua vagina, puxava-o pelos cabelos e se esfregava molhada nele. A esposa, sentada olhando, começou a se masturbar, dizendo:

— Come ela. Estou te mandando comer essa vadia brasileira.
"Vadia brasileira não", pensou a Amante.
Quando ele se levantou, ela pegou seu cachecol, amarrou as mãos dele para trás e o empurrou em um sofá ao lado da esposa. A Amante então sentou-se no pênis dele, já iniciando pelo sexo anal. Rebolava e tocava o próprio clitóris de frente para a esposa. Quando o marido começou a gemer alto dizendo que iria gozar, a amante deu-lhe um tapa e cobriu sua boca com a mão.
Ao sentir as primeiras gotas, ela saiu de cima e o chupou, fazendo-o explodir em sua boca. Com a boca cheia de leite e vendo o marido da outra delirando, com as pernas tremendo, ela abriu a boca e cuspiu o sêmen sobre a vagina da esposa, dizendo:

— Isso lhe pertence, vadia francesa.
Puxou seu cachecol e se vestiu novamente. Tomou um gole de vinho e comeu um chocolate enquanto o casal a encarava. Eles realmente estavam acostumados a dominar, mas desta vez não teve como. Ela se vestiu e saiu, deixando o gosto de quero mais. Não olhou para trás.
Talvez a amante seja como o inverno: fria e para poucos. Algumas flores brotam apenas no frio. Foram feitas para a dor, suportam o que outras não suportam, mas vivem sozinhas.


DIOVANA RODRIGUES

Me chamo Diovana, tenho 40 anos, me apaixonei pela poesia com 13 anos de idade, e desde então escrevo. A poesia se tornou uma psicóloga para mim, um diário de desabafo. Não consigo escrever sem meu coração mandar. Não sei simplesmente sentar e pensar no que vou escrever. Simplesmente escrevo, brinco, eu escrevo sem pensar. Sou mãe, tenho três filhos, Mithelli que está com 22 anos e os gêmeos de 13 anos. Parece meio óbvio dizer que são tudo que tenho, mas é isso. São meu tudo. Trabalho com segurança privada, minha especialização dentro da área veio depois de anos. É algo que gosto de fazer, assim como cozinhar. Sou uma mulher de gosto simples, porém, de opiniões fortes. Sigo minha vida de forma leve, aprendendo, caindo e levantando ancorada em minha fé. Sou umbandista com muito amor e só tenho a agradecer às minhas frenteiras. Elas me ensinaram que cair é inevitável mas ficar no chão é opcional. Essa sou eu, essa é Diovana Rodrigues.

"Quanto mais arte, menos violência. Quanto mais arte, mais consciência, menos ignorância."

08 ANOS DE VIDA DEDICADOS 
À ARTE E CULTURA!


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